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AS CAVALHADAS DA RUA SETE DE SETEMBRO

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Rua 07 de setembro, Baturité 1930

Rua 07 de setembro, Baturité 1930

As Cavalhadas da Rua Sete

A Rua Sete de Setembro até os primeiros anos da década de 1930 não tinha pavimentação; no espaço do quarteirão do Beco do Pompeu até a rua entre o Barracão das Carnes e o Mercado Central, apenas as coxias eram cimentadas, naturalmente, para evitar erosão durante as chuvas de inverno.

No trecho compreendido entre a demolida Igreja do Rosário e a residência do banqueiro Raimundo Arruda, o logradouro, em dias de festas, servia de palco das cavalhadas, representações das tradições herdadas de Portugal que se impregnaram no folclore nacional notadamente no interior.

Rudes cavaleiros de Baturité, muitos filhos de gente importante, dentre outros aficionados Luiz Liberato, Zé Perequeté, Zé Bruno Maciel, Edmundo Victor e os irmãos Toinho, Carlos e Almir Cardoso se dividiam em partidos – azul e encarnado – para disputarem a impetuosa aposta eqüestre.

Cada concorrente, a cavalo, disparava de determinado ponto para, de lança em punho, sacar uma argola estrategicamente posta a, mais ou menos, cem metros de distância.

O feliz cavalariano vencedor, ao cumprir o objetivo, de peito erguido, cavalgando a passo lento, se aproximava do público espectador em busca da namorada para lhe oferecer a aldrava valiosa e, dessa forma, compartilhar com a amada a gloria de ser o campeão da temporada.

Urbanizada na administração do interventor capitão Ozimo de Alencar, nascido iguatuense, assim, vaidosa, a Rua Sete, de prado, passou a ser a principal artéria da cidade, não só pela modernização, mas, por merecimento, haja vista o número de estabelecimentos que lhe garantiram a fama de rua do comercio, designação, antes, pertencente à Rua Quinze de Novembro.

Do lado do sol um conjunto arquitetônico de seis prédios abonava a pujança das antigas lojas: Sapataria São José, de José Pinto Garcez, As Variedades, do Major Pedro Mendes, a Casa Síria, de Elias Salomão, a “Casa Pernambucana”, dos Irmãos Lundgren, e, depois de algumas residências, as oficinas da redação de “A Verdade” o semanário do coronel Ananias Arruda; do outro lado a usina e luz e força e o cinema, ambos de José Pinto do Carmo, o imponente prédio do Banco Comercial e Agrícola da família Arruda.

Antes de se extinguirem por completo, as cavalhadas usaram a Rua Senador João Cordeiro a popular Rua de Trás, em frente a Fábrica Velha do major Horácio Dutra.