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AS FARMACIAS DE BATURITÉ

segunda-feira, 10 de maio de 2010

AS FARMÁCIAS DE BATURITÉ

Na década de 1950 Baturité tinha duas farmácias: A Farmácia do sisudo Oziel, bom na arte de vender e, até, manusear medicamentos – ofício que herdou do pai o seu Rabelo; a outra a Farmácia Dias, do português seu José Dias, pai do Gilberto Dias e da Fátima.

Os próprios farmacêuticos eram os mesmos donos das boticas e consultavam remédios de fabricação própria ou de terceiros.

Pharmácia Mattos de Murilo Alvez Bessa

Os tratamentos, quase sempre eram os mesmos, quem não se lembra do interoviofórmio para caganeira; e dos xaropres, dos purgantes, da Emulsão de Scott, a única feita com fígado de Bacalhau, em cuja caixa mostrava um homem carregando um enorme peixe nas costas. Deste remédio bastava só de abrir a tampa do vidro já dava para vomitar!

Naqueles tempos o menino mais forte era o mais gordo. Os magrinhos, para ganhar gordura, eram obrigados a tomar Biotônico Fontoura, mais bem aceito pelo brinde que trazia dentro da embalagem do que pelo efeito que podia produzir. O brinde era a história do Jeca Tatu, que ficou forte por tomar o leque de medicamentos do Laboratório Fontoura que para cada mal tinha um produto especifico.

Ao contrair algum mal que provocasse febre, as crianças ganhavam o direito a uma merendinha mais leve: Meia dúzia de bolachas “cream” com guaraná champagne. Essa era uma das poucas possibilidades que tinham para beber refrigerante, cujo gás, então, de tão forte, chegava a sair pelo nariz.

Quando a doença era para valer, não tinha outro jeito, a não ser uma penicilina aplicada no traseiro pela mão santa do Oziel ou do Murilo, o enfermeiro do seu Zé Dias, que depois chegou a ser o dono da farmácia.

A Política Antiga de Baturité (IV)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Em janeiro de 1952, a pouco mais de um ano da eleição que fez dele o vereador mais votado, com a morte do irmão Pedro Wilson, muito abalado, Mario Mendes deixou a política, daí então, quando o vereador era procurado, somente o comerciante era encontrado.

Para as eleições de 1954, o Dr. Álcimo Cavalcante, impõe o nome de Oziel Rabelo para aspirar a prefeitura, embora a preferência geral do partido recaísse no nome de Francisco Mesquita Pinheiro, comerciante que além de sério, tinha recursos suficientes para enfrentar a campanha. Naquele pleito, sem se candidatar a nada, Mario Mendes se compôs com Oziel Rabelo, e trabalhou a eleição de seu primo Dr. Lauro Maciel Severiano, para deputado estadual, Colombo de Souza para federal, e, Armando Falcão para governador.

Armando Falcão, também, candidato a Deputado Federal, perdeu a eleição para o governo, se elegendo, porém, para a Câmara dos Deputados. A fama de que seu opositor Paulo Sarasate ganhou a eleição somente na contagem dos votos é tão notória, quanto à história de que Armando trocou seu mandato na Câmara por um cartório no Rio de Janeiro.

Fato que ficou gravado nos anais da política baturiteense, por ocasião dessa dita campanha de 1954, em Baturité, existia um ônibus, que mesmo muito velho, muito servia à população, levando e trazendo os passageiros do trem em duas viagens diárias. Para não gastar bateria o carro já ficava estacionado estrategicamente na descida da Praça Santa Luzia em direção a estação, posição exata para, sem ser emburrado, acionar o motor sem gastar bateria.

Parodiando o slogan da campanha ARMANDO É CONTRA O ROUBO E A CORRUPÇÃO, o ônibus, um dia, amanheceu pichado com a frase: ARMANDO É CONTRA O LIXO. Como o seu proprietário o Senhor Orlando era homem recatado, não metido em política, a baixeza do ato, tinha o endereço certo do seu irmão, Raimundo Viana, grande industrial e comerciante da cidade, contrário à candidatura de Armando.

Desse pleito a vitória de Rosuel Dutra Ramos, leia-se UDN sobre Oziel Rabelo, leia-se PSP, foi muito comemorada.

Enquanto os foguetórios comemoravam a vitória de seus eleitos na frente do Sobrado dos Maciéis, então residência de Mario Mendes, ele preparava a família para se mudar para Fortaleza.

Triste, com a mudança, o comerciante pensava consigo mesmo:

- Deixe-se que a arraia-miúda continue a votar nos manda chuvas de sempre, eles não conhecem o bando de comprometidos que elegem: deputados, senadores e governadores, cuja grande maioria come no prato do Presidente, um marechal de pijama, gente daqueles mesmos militares, que, desde o Império, se prevalecem da espada para se intrometer no poder civil.

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