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AS FARMACIAS DE BATURITÉ

segunda-feira, 10 de maio de 2010

AS FARMÁCIAS DE BATURITÉ

Na década de 1950 Baturité tinha duas farmácias: A Farmácia do sisudo Oziel, bom na arte de vender e, até, manusear medicamentos – ofício que herdou do pai o seu Rabelo; a outra a Farmácia Dias, do português seu José Dias, pai do Gilberto Dias e da Fátima.

Os próprios farmacêuticos eram os mesmos donos das boticas e consultavam remédios de fabricação própria ou de terceiros.

Pharmácia Mattos de Murilo Alvez Bessa

Os tratamentos, quase sempre eram os mesmos, quem não se lembra do interoviofórmio para caganeira; e dos xaropres, dos purgantes, da Emulsão de Scott, a única feita com fígado de Bacalhau, em cuja caixa mostrava um homem carregando um enorme peixe nas costas. Deste remédio bastava só de abrir a tampa do vidro já dava para vomitar!

Naqueles tempos o menino mais forte era o mais gordo. Os magrinhos, para ganhar gordura, eram obrigados a tomar Biotônico Fontoura, mais bem aceito pelo brinde que trazia dentro da embalagem do que pelo efeito que podia produzir. O brinde era a história do Jeca Tatu, que ficou forte por tomar o leque de medicamentos do Laboratório Fontoura que para cada mal tinha um produto especifico.

Ao contrair algum mal que provocasse febre, as crianças ganhavam o direito a uma merendinha mais leve: Meia dúzia de bolachas “cream” com guaraná champagne. Essa era uma das poucas possibilidades que tinham para beber refrigerante, cujo gás, então, de tão forte, chegava a sair pelo nariz.

Quando a doença era para valer, não tinha outro jeito, a não ser uma penicilina aplicada no traseiro pela mão santa do Oziel ou do Murilo, o enfermeiro do seu Zé Dias, que depois chegou a ser o dono da farmácia.