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AS BRINCADEIRAS DE BATURITÉ II – “O RUBALÉ”

terça-feira, 20 de abril de 2010

BRINCADEIRAS DE BATURITÉ (II)

O RUBALÉ

Contíguo às recordações do amigo João Alberto Figueiredo, baturiteense, como eu, ligado à história e causos de nossa velha cidade, a seu pedido, juntei lembranças dele com as minhas, para fazer o registro de uma brincadeira, muito interessante, de Baturité: O RUBALÉ.

Inventada a partir do pega-pega, o RUBALÉ era uma brincadeira de grupo, exclusiva dos meninos e rapazes e jamais das meninas e moças, praticada nas calçadas em volta da igreja de Santa Luzia..

Do curioso nome RUBALÉ ninguém sabe a origem; mas tem-se como certa que além-mundo de Baturité, o RUBALÉ, nunca foi praticado em nenhum lugar.

Começava no lado de traz da igreja, esquina sudoeste, onde um participante era escolhido, entre os demais, por sorteio, “par ou impar”, por exemplo, para ser o pegador – o RUBALE.

Na dita esquina, quase em frente aos estúdios da Radiadora de Baturité, o RUBALÉ ficava aguardando a autorização de partir em disparada para pegar qualquer um do grupo prontamente distanciado no patamá.

O primeiro que se deixasse pegar seria o próximo RUBALÉ. Ficava livre, porém, quem desse a volta na igreja até conseguir atingir o ponto de onde partira o perseguidor, local que, então, passava a ser a mancha ou manja.

A dificuldade tornava-se emocionante porque o “Rubalé”, muitas vezes, ao invés de correr, diretamente, até pegar algum, durante a perseguição, manhosamente, preferia se valer do escuro, para se ocultar nas portas do templo que por serem fundas não dava para perceber em qual delas ele se escondia para dar o bote final.

Quando todo o grupo, num momento de vacilo do RUBALÉ, conseguia chegar de franco na manja, então o RUBALÉ continuava cumprindo sua mesma função. Se, em três vezes seguidas não pegasse ninguém, para castigo, já estavam guardadas, algumas pedras grandes, para ele, o RUBALÉ, chocá-las como se fossem ovos, e daí… : as mangações corriam soltas.

O Teco Teco

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O TECO-TECO
Como um assunto puxa outro, a propósito de minha crônica A Rua de Trás, recebi, diretamente de Michigan – Us, um email de João Alberto Figueiredo, que antes habitou naquele pedaço. Lembrava a queda de um teco-teco no canavial do seu Nenzim Lopes. Acontecimento que por incomum, ainda, não caiu no esquecimento.

Nesses tempos, João Alberto, filho de Manoel Figueiredo e Dona Puri acompanhado de seu melhor amigo e vizinho, o Stenio, filho do coletor federal Rubens Santana, procuravam o azulão, um cachorro, talvez.
Pelo lugar onde se encontravam, com certeza, também, saboreavam seriguelas, coisa conhecidamente proibida no sítio de Chagas Mariano e Dona Doria que não permitiam ninguém transpor o muro construído, justamente, para evitar visitas inoportunas deste tipo. Mas, como com menino a coisa é diferente, os dois, mais ou menos, aos oito anos de idade, sem dúvidas estavam ali sem permissão, às escondidas e, principalmente, escapados da vigilância rigorosa das mães.

O estridulado dos sanhaçus em disputa com silencio profundo, pouco a pouco, vai sendo superado pela zuada de mortor falhando, no rumo do canavial. Curiosos os meninos saíram debaixo das fruteiras em busca de uma clareira que pudesse lhes mostrar um pedaço de horizonte. Ao atingirem a plena luz, hipnotizados e deslumbrados, avistaram um teco-teco ainda baixando até cair de vez em cima a plantação de canas..

Sem pensar duas vezes os dois pestinhas, armados de baladeira, e ao atingirem uma distancia segura, sem saber por que começaram a “bombardear” o pássaro de ferro que na realidade já estava abatido.
Ao ver dois sobreviventes cambaleando ate o chão, gritando com eles, os amiguinhos saíram correndo para casa – cada um para sua.

Logo em seguida, ainda com muito medo, João Alberto saiu de casa, desceu pelo quintal, e viu uma multidão em volta da aeronave decerto socorrendo os tripulantes da aeronave que por sua fez tiveram ferimentos, mas, somente o susto.

Dentre os que vieram socorrer o piloto chegou à frente o Fernando Simões – apareceu por lá com uma “Bicicleta a Motor”, atrás dele, outros ciclistas tentando acompanhá-lo com suas bicicletas a pedal mesmo.

O piloto de nome Faria, não sei dizer ao certo, se já tinha alguma amizade com a família Simões ou se esta começou com o socorro do Fernando, mesmo porque, dar acolhida a quem precisa sempre foi uma característica daquela família portuguesa, com certeza.