O TECO-TECO
Como um assunto puxa outro, a propósito de minha crônica A Rua de Trás, recebi, diretamente de Michigan – Us, um email de João Alberto Figueiredo, que antes habitou naquele pedaço. Lembrava a queda de um teco-teco no canavial do seu Nenzim Lopes. Acontecimento que por incomum, ainda, não caiu no esquecimento.
Nesses tempos, João Alberto, filho de Manoel Figueiredo e Dona Puri acompanhado de seu melhor amigo e vizinho, o Stenio, filho do coletor federal Rubens Santana, procuravam o azulão, um cachorro, talvez.
Pelo lugar onde se encontravam, com certeza, também, saboreavam seriguelas, coisa conhecidamente proibida no sítio de Chagas Mariano e Dona Doria que não permitiam ninguém transpor o muro construído, justamente, para evitar visitas inoportunas deste tipo. Mas, como com menino a coisa é diferente, os dois, mais ou menos, aos oito anos de idade, sem dúvidas estavam ali sem permissão, às escondidas e, principalmente, escapados da vigilância rigorosa das mães.
O estridulado dos sanhaçus em disputa com silencio profundo, pouco a pouco, vai sendo superado pela zuada de mortor falhando, no rumo do canavial. Curiosos os meninos saíram debaixo das fruteiras em busca de uma clareira que pudesse lhes mostrar um pedaço de horizonte. Ao atingirem a plena luz, hipnotizados e deslumbrados, avistaram um teco-teco ainda baixando até cair de vez em cima a plantação de canas..
Sem pensar duas vezes os dois pestinhas, armados de baladeira, e ao atingirem uma distancia segura, sem saber por que começaram a “bombardear” o pássaro de ferro que na realidade já estava abatido.
Ao ver dois sobreviventes cambaleando ate o chão, gritando com eles, os amiguinhos saíram correndo para casa – cada um para sua.
Logo em seguida, ainda com muito medo, João Alberto saiu de casa, desceu pelo quintal, e viu uma multidão em volta da aeronave decerto socorrendo os tripulantes da aeronave que por sua fez tiveram ferimentos, mas, somente o susto.
Dentre os que vieram socorrer o piloto chegou à frente o Fernando Simões – apareceu por lá com uma “Bicicleta a Motor”, atrás dele, outros ciclistas tentando acompanhá-lo com suas bicicletas a pedal mesmo.
O piloto de nome Faria, não sei dizer ao certo, se já tinha alguma amizade com a família Simões ou se esta começou com o socorro do Fernando, mesmo porque, dar acolhida a quem precisa sempre foi uma característica daquela família portuguesa, com certeza.