PREFEITOS DE BATURITÉ

27 de junho de 2010

EX-ADMINISTRADORES BATURITÉ(*)

1. Capitão João Rodrigues de Freitas, primeiro Diretor da Vila Real de Monte Mor o Novo da América. Nomeado por ocasião de sua fundação, a 14 de abril de 1764, na qualidade de Administrador da Vila, por força do ato de nomeação pode-se qualificá-lo como o primeiro prefeito da cidade, pois o administrador de então possuía essa autoridade.

A seguir a relação dos administradores a partir da elevação da Vila à categoria de cidade.
1. Pedro José Castelo Branco 1858 – 1859 Presidente da Câmara
2. José Pacífico da Costa Caracas 1859 – 1861 Presidente da Câmara
3. Pedro José Castelo Branco 1861 – 1863 Presidente da Câmara
4. André Epifânio Ferreira Lima 1863 – 1866 Presidente da Câmara
5. Pedro José Castelo Branco 1866 – 1868 Presidente da Câmara
6. Venâncio Pereira Castelo Branco 1869 – 1872 Presidente da Câmara
7. Balduíno José de Oliveira 1873 – 1877 Presidente da Câmara
8. Pedro José Castelo Branco 1877 – 1880 Presidente da Câmara
9. Raimundo Cicero Sampaio 1880 – 1882 Presidente da Câmara
10. Clementino de Oliveira Lima 1883 – 1886 Presidente da Câmara
11. Francisco Rodrigues de Oliveira 1887 – 1888 Presidente da Câmara
12. Francisco Alves Linhares 1888 – 1889 Presidente da Câmara
13. Francisco Ernesto de Oliveira 1890 – 1890 Intendente Municipal
14. Montezuma Peixoto Leão 1890 – 1891 Intendente Municipal
15 Joao Benício de Souza 1891 – 1892 Intendente Municipal
16. Balduíno José de Oliveira 1892 – 1892 Intendente Municipal
17. Joao Arruda de Aguiar Silva 1892 – 1892 Intendente Municipal
18. João Ramos da Silva 1892 – 1893 Intendente Municipal
19. Bernardino Proença 1893 – 1898 Intendente Municipal
20. Cândido Thaumaturgo 1899 – 1900 Intendente Municipal
21. Alfredo Dutra de Souza 1900 – 1905 Intendente Municipal
22. Francisco Cordeiro de Souza 1905 – 1908 Intendente Municipal
23. José Arruda 1908 – 1910 Intendente Municipal
24. Alfredo Dutra de Souza 1910 – 1912 Intendente Municipal
25. Joaquim de Alencar Mattos 1912 – 1914 Prefeito Municipal
26. Alfredo Dutra de Souza 1914 – 1919 Prefeito Municipal
27. José Pacífico Caracas Filho 1919 – 1920 Prefeito Municipal
28. Pedro Lopes Pereira 1921 – 1924 Prefeito Municipal
29. João Paulino de Barros Leal Filho 1924 – 1928 Prefeito Municipal
30. Pedro Catão 1928 – 1930 Prefeito Municipal
29. José Joaquim de Almeida 1930 – 1930 Prefeito Municipal
30. Alfredo Dutra de Souza 1930 – 1932 Prefeito Municipal Nomeado
31. Heitor Fiúza Pequeno 1932 – 1933 Prefeito Municipal Nomeado
32. Capitão Ozimo de Alencar Lima 1932 – 1934 Prefeito Municipal Nomeado
33. Luiz Rolim da Nobrega 1934 – 1934 Prefeito Municipal Nomeado
34. Cândido Silveira 1934 – 1935 Prefeito Municipal Nomeado
35. Francisco Chagas de Souza 1935 – 1935 Prefeito Municipal Nomeado
36. Ananias Arruda 1935 – 1943 Prefeito Municipal Nomeado
37. Francisco das Chagas Tito 1943 – 1944 Prefeito Municipal Nomeado
38. Raimundo Raul Correia Lima 1944 – 1944 Prefeito Municipal Nomeado
39. Edmundo Bastos 1944 – 1945 Prefeito Municipal Nomeado
40. Thomas Gomes da Silva 1945 – 1946 Prefeito Municipal Nomeado
41. Hermenegildo Furtado Filho 1946 – 1947 Prefeito Municipal Nomeado
42. Raimundo Raul Correia Lima 1947 – 1948 Prefeito Municipal Nomeado
43. Raimundo Viana 1948 – 1951 Prefeito Municipal Eleito
44. Miguel Edgy Távora Arruda 1951 – 1955 Prefeito Municipal Eleito
45. Rosuel Dutra Ramos 1955 – 1959 Prefeito Municipal Eleito
46. Miguel Edgy Távora Arruda 1959 – 1963 Prefeito Municipal Eleito
47. Antônio Wellington Viana 1963 – 1964 Prefeito Municipal Eleito
48. Manoel Castelo Branco 1964 – 1967 Prefeito Municipal Eleito
49. José Ricardo da Silveira 1967 – 1971 Prefeito Municipal Eleito
50. Dr. José Marcelo Holanda 1971 – 1973 Prefeito Municipal Eleito
51. Raimundo Ivo dos Santos Oliveira 1973 – 1977 Prefeito Municipal Eleito
52. Dr. José Marcelo Holanda 1977 – 1983 Prefeito Municipal Eleito

(*) Fonte Edson André

SAUDADES DO CRATO

15 de maio de 2010

No século passado viveu em Baturité, o imigrante sírio Elias Salomão comerciante de tecidos na Rua Sete de Setembro, no mesmo local onde muito depois funcionou a loja de Montezuma Peixoto.

Em 1934 o Sr. Elias Salomão, deixa sua Casa Síria, de Baturité, sob a gerência de Sr. Abel Pereira, e segue para o Crato a fim de gerenciar uma loja de Aziz Jereissati.

Quando viajou, Sr. Elias a pedido do seu amigo e compadre major Pedro Mendes, levou o filho deste Mario Mendes, para que, como empregado, aprendesse a arte de comprar e vender, coisa que o sírio já trazia no sangue.

Na abençoada região do Cariri, o recém chegado Mário se seduz com a beleza da Chapada do Araripe, que, como dizia o poeta, era coberta pela floresta donde jorram nascentes de águas puríssimas.

Rapaz de boa aparência e distinto, enquanto se enleva pelo lugar, cativa as colegiais, que não eram poucas, e, por causa delas, fica mais propenso aos namoros do que ao trabalho.

Por esse tempo também se encontrava no Crato, seu primo Heitor Maciel, que fora mandado, pela mãe, dona Emília Maciel, para lá se empregar, naturalmente a contra gosto do filho, como caixeiro nas Casas Pernambucanas, para que, dessa forma, deixasse de mão suas idéias comunistas.

Inconformado com o pouco tempo que lhe sobrava das obrigações para as farras e para a liça de combate aos integralistas apelidados de galinhas verdes, Heitor passou a odiar ao maldito balcão de loja, que não tinha nada a ver com seu gênio que nunca teve de se sujeitar a qualquer tipo de horário.

Mario e Heitor, pouco demoraram no Crato. Mario por se achar já capaz de suceder o pai, que, por sua vez, já queria lhe entregar a loja, e, Heitor, por que: “em sonho, ouviu a sua mãe chorando a lhe chamar”!

Em data combinada os dois pegaram o trem para Baturité. Numa madrugada de céu estrelado, no silencio só perturbado pelo movimento da estação, os dois, já acomodados no carro, passam a relembrar os momentos de liberdade na companhia de tantos e tantas de quem nem sequer se despediram.

Quando o agente ferroviário autorizou a partida com o tocar do sino, ao primeiro sopapo da locomotiva, os dois ficaram se olhando, e, ao mesmo tempo, recitaram parte da poesia do poeta popular Zé de Matos, quando, uma vez, deixou a terra amada:

Adeus! Cidade do Crato.
Quereres da minha vida,
Levo saudades de ti,
Rapadura e rapariga.

AS FARMACIAS DE BATURITÉ

10 de maio de 2010

AS FARMÁCIAS DE BATURITÉ

Na década de 1950 Baturité tinha duas farmácias: A Farmácia do sisudo Oziel, bom na arte de vender e, até, manusear medicamentos – ofício que herdou do pai o seu Rabelo; a outra a Farmácia Dias, do português seu José Dias, pai do Gilberto Dias e da Fátima.

Os próprios farmacêuticos eram os mesmos donos das boticas e consultavam remédios de fabricação própria ou de terceiros.

Pharmácia Mattos de Murilo Alvez Bessa

Os tratamentos, quase sempre eram os mesmos, quem não se lembra do interoviofórmio para caganeira; e dos xaropres, dos purgantes, da Emulsão de Scott, a única feita com fígado de Bacalhau, em cuja caixa mostrava um homem carregando um enorme peixe nas costas. Deste remédio bastava só de abrir a tampa do vidro já dava para vomitar!

Naqueles tempos o menino mais forte era o mais gordo. Os magrinhos, para ganhar gordura, eram obrigados a tomar Biotônico Fontoura, mais bem aceito pelo brinde que trazia dentro da embalagem do que pelo efeito que podia produzir. O brinde era a história do Jeca Tatu, que ficou forte por tomar o leque de medicamentos do Laboratório Fontoura que para cada mal tinha um produto especifico.

Ao contrair algum mal que provocasse febre, as crianças ganhavam o direito a uma merendinha mais leve: Meia dúzia de bolachas “cream” com guaraná champagne. Essa era uma das poucas possibilidades que tinham para beber refrigerante, cujo gás, então, de tão forte, chegava a sair pelo nariz.

Quando a doença era para valer, não tinha outro jeito, a não ser uma penicilina aplicada no traseiro pela mão santa do Oziel ou do Murilo, o enfermeiro do seu Zé Dias, que depois chegou a ser o dono da farmácia.

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL IV

27 de abril de 2010

Praça Santa Luzia Lado do Sol IV

Antes de chegar na casa do seu Tolentino e dona Rosenda, um adendo sobre o Cine Baturité, da dona Emília, recordaçoes da Ligene Barsi de duas ótimas, como a do Costa (eletricista), que tendo assistindo a 1ª sessão ( eram duas pra cada filme, não era? ) repetia as cenas e contava o que ia acontecer, atrapalhando e irritando os cinéfilos da 2ª sessão, que gritavam “cala a boca Costa”.

Outra era a do Lindenberg (irmão da Gracinda) que usava, de propósito, tamancos barulhentos, e que depois do cinema descia as ruas acordando a população já recolhida.

Coisas simples do cotidiano da cidade que ficaram no consciente coletivo, nunca é de mais, recontá-las.

Voltando porém à sequencia da Pequena História da Praça Santa Luzia Lado do Sol, ninguem também esquece, do Seu Tolentino e Dona Rosenda, gente dos Vianas, que cedo se mudaram para Fortaleza, de onde, ainda, se recorda a casa sempre aberta aos baturiteenses na Rua Clarindo de Queiros próxima ao Mercado São Sebastião.

Dona Rosenda, sem nunca se desligar afetivamente de Baturité mudou-se para Fortaleza, com certeza, pelo atrativo do centro maior para dar formação profissional aos filhos, que não eram poucos, Leene, Clinton, Maria Augusta, Gilson, Raquel e Telma, donde colheu futuro melhor para todos.

Das tantas lembranças que a família deixou na Praça Santa Luzia, a mais sentida, foi a falta que Gilson fez, que digam seus amigos Zé Alfredo, o Mandioca, o Hugo, popular Aguía, o Eliomar, chamado de Chinês por que era pequeno, o Rainá, e seu irmão Souzinha, o Ivanirton Garcia e o Neném, apelido carinhoso do Victor, hoje, como ele, desembargador aposentado – os dois galgaram todos os degraus do magistrado.

Foi do meio dessa turma que nasceu a brincadeira do RUBALÉ, da qual o Gilson era o campeão.

ESTRANHA HOMENAGEM

24 de abril de 2010

No alvorecer do dia sete de julho de 1942, em Baturité, na residência do cliente, na Rua Quinze de Novembro, lado do sol, poucos metros acima da Rua Hildo Furtado, o contador dava os últimos retoques na Declaração do Imposto de Renda da NOVA AURORA, loja de tecidos, chapéus, camas, colchões e miudezas da Rua Sete de Setembro. O guarda livro era José Maciel, cunhado e primo do dono da casa e da loja o Mario Mendes.

Terminada a missão os dois se aproximam do rádio. Ansiosos. Sintonizados na BBC de Londres, eles queriam escutar as notícias da Guerra da Europa.

A transmissão, direta para o Brasil, estava quase inaudível, por causa dos chiados e da zoada, lá de fora, porque, em plena madrugada, os comboieiros, aos gritos, estralavam os chicotes nas traseiras dos jumentos.

Os pobres animais com pesadíssimos caçoares arriados em cada lado das cangalhas, sem ninguém para controlar excessos, escambichados com tanto peso, traziam da serra produtos agrícolas destinados à feira.

Lá de dentro, da casa, de repente, ouvem-se gemidos nervosos da dona da casa. Ela estava em procedimento de parto. Os gritos de dor superam todos os sons, até que o alarido, pouco a pouco vai sumindo, e, enfim, dá lugar ao choro forte do segundo filho.

Quando dona Maroca Maciel de Paiva, a parteira, trouxe o recém nascido, todo asseado, e vestido num jaleco branco, para os primeiros afagos do pai, foi José Maciel quem primeiro falou:

- Este vai ser contador!

- Disso, não sei – respondeu o pai -, mas seu nome será uma homenagem a mim mesmo, Mario Mendes Junior!

AS BRINCADEIRAS DE BATURITÉ II – “O RUBALÉ”

20 de abril de 2010

BRINCADEIRAS DE BATURITÉ (II)

O RUBALÉ

Contíguo às recordações do amigo João Alberto Figueiredo, baturiteense, como eu, ligado à história e causos de nossa velha cidade, a seu pedido, juntei lembranças dele com as minhas, para fazer o registro de uma brincadeira, muito interessante, de Baturité: O RUBALÉ.

Inventada a partir do pega-pega, o RUBALÉ era uma brincadeira de grupo, exclusiva dos meninos e rapazes e jamais das meninas e moças, praticada nas calçadas em volta da igreja de Santa Luzia..

Do curioso nome RUBALÉ ninguém sabe a origem; mas tem-se como certa que além-mundo de Baturité, o RUBALÉ, nunca foi praticado em nenhum lugar.

Começava no lado de traz da igreja, esquina sudoeste, onde um participante era escolhido, entre os demais, por sorteio, “par ou impar”, por exemplo, para ser o pegador – o RUBALE.

Na dita esquina, quase em frente aos estúdios da Radiadora de Baturité, o RUBALÉ ficava aguardando a autorização de partir em disparada para pegar qualquer um do grupo prontamente distanciado no patamá.

O primeiro que se deixasse pegar seria o próximo RUBALÉ. Ficava livre, porém, quem desse a volta na igreja até conseguir atingir o ponto de onde partira o perseguidor, local que, então, passava a ser a mancha ou manja.

A dificuldade tornava-se emocionante porque o “Rubalé”, muitas vezes, ao invés de correr, diretamente, até pegar algum, durante a perseguição, manhosamente, preferia se valer do escuro, para se ocultar nas portas do templo que por serem fundas não dava para perceber em qual delas ele se escondia para dar o bote final.

Quando todo o grupo, num momento de vacilo do RUBALÉ, conseguia chegar de franco na manja, então o RUBALÉ continuava cumprindo sua mesma função. Se, em três vezes seguidas não pegasse ninguém, para castigo, já estavam guardadas, algumas pedras grandes, para ele, o RUBALÉ, chocá-las como se fossem ovos, e daí… : as mangações corriam soltas.

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOl III

1 de abril de 2010

Praça Santa Luzia Lado do Sol III

Neste terceiro capitulo de Praça Santa Luzia Lado do Sol, depois do lar dos Francelino, cabe aqui recordar sua vizinha, dona Emília Viana, cuja morada de fachada trabalhada com detalhes em relevo, larga, com porta e duas janelas, nada disso, era mais respeitável do que sua própria pessoa e o que ela representava para Baturité.

Muito querida na cidade os sobrinhos legítimos de Dona Emília, que não eram poucos, chamavam-na de Tia Bia, apelido carinhoso que enchia de inveja àqueles que, não a tendo como tal, igualmente se arriscavam, em tratá-la afetivamente do mesmo modo carinhoso.

Ao instalar o Cine Baturité, para ser tocado pelo seu filho Edmar, dona Emília, não se fez de rogada, mas, continuou com a casa de exibição sob sua tutela, quando sentiu que o rapaz se mudaria para Fortaleza a fim de representar laboratório de medicamentos – trabalho onde se deu muito bem, e que, em anos contíguos, destacou-se no Ceará, Piauí e Maranhão como um dos melhores do ramo, em todos os tempos.

Ao vê-se empresária dos sonhos da sétima arte, dona Emília trás para ajudá-la o cunhado Sr. Almeida, como administrador; e, os filhos deste, portanto sobrinhos dela, Josely, como projetor; Inácio, como bilheteiro e Nazaré como porteira. Esta sempre tentada mais nunca ludibriada pela turma que queria, a todo custo, assistir aos filmes de graça.

Do amontoado dos restos de lembranças infantis daqueles tempos, coisas simples, vistas, ouvidas ou vivenciadas no cotidiano, Antonio Augusto, o Toinho Figueiredo lembra de uma passagem no cinema de dona Emília. Ocorrência prosaica acontecida na Semana Santa, quando, naquele tempo, a cidade eminentemente católica, não só respeitava, mas, praticava todos os atos emanados da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

No Domingo de Ramos, o vigário Padre Teixeira, presidia a missa seguida da procissão onde todos exibiam ramos de árvores como se fossem galhos das oliveiras da Judéia; na quinta após a missa do Lava Pés, a igreja permanecia aberta para adorações e orações; na sexta enquanto entoavam cânticos fúnebres os fieis seguiam os paços de Jesus nas Vias Sacras, obrigatórias nas igrejas católicas, e, uma vez, em casa, reverenciavam com jejum, silêncio e reflexão o dia dedicado ao Senhor Crucificado.

Pois bem, numa Sexta Feira Santa os irmãos Figueiredo, – ele, o Toinho, Maria Angélica e João Alberto – Pedro Ângelo não foi porque era pequeno – são mandados, pela mãe Dona Purí, para assistir o tradicionalíssimo filme Paixão de Cristo, a única película permitida no grande dia.

De tão preparado e concentrado para ver a dramática apresentação, quando esta terminou, no acender das luzes, saindo do banco – não existiam poltronas – ao atingir a passarela central do cinema, eis que, João Alberto, antes de dá as costas para a tela, cheio de emoção e penar, muito contrito, depois de uma formal genuflexão fez o Sinal da Cruz.

Os risos pela cena foram poucos. Não só em respeito ao dia santo. Mas também porque nada era de se admirar no cinema da Dona Emília… Ali, existia até, quem se abaixasse durante os tiroteios dos filmes cow-boy, temendo balas perdidas.

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL II

8 de março de 2010

A PEQUENA HISTÓRIA DAS RESIDÊNCIAS DA PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL

CAPITULO II

A pequena história das residencias da Praça Santa Luzia Lado do Sol, continua no tereno onde antes floria o jardim do Sobrado dos Macieis. Pelas mãos de seu adquirente José Francelino de Oliveira, no dito local foram contruídas duas casas.

Na primeira uma casa com o lado esquerdo encostado no sobrado e o direito todo alpendrado com piso de mosaico chamativo, Zé Farncelino e sua esposa dona Cléa Lima Oliveira, tiveram os filhos Zamenhof, Flávio e Tereza Neuma.

Homem de vida exclusivamente dedicada à família, foi para o conforto desta, que Francelino edificou ao lado da mencionada primeira casa, outra morada, recuada e isolada nos lados, moderna, de dois pavimentos, sendo ela a única, na praça no estilo bangalô.

José Francilino, seus alunos e seus dois filhos Flávio e Zamenhof

Trabalhador como poucos, haja vista o número de suas atividades – monitor do curso de datilografia, agricultor, contador, professor de esperanto -, cidadão que sempre soube cultivar amizades, sem acepção de pessoas, Francelino, tanto é amigo de padres, lideres católicos, políticos, personalidades importantes, bem como gosa da amizade de gente mais liberal, como, na época, os companheiros excurcionistas de Paulo Afonso, da qual, hoje, ele é o único vivo, eram eles Mario Mendes, Mesquita Pinheiro, Zé Bruno Maciel, Zé Farias, Zé Ricardo, Oziel Rabelo, Adauto Pinto, seu Ernesto, o motorista e outro companheiro de nome Ananias, que não era Arruda, claro. Veja crônica: “Causa ou Intenção” neste blog.

Quando a família se mudou para o bangalô, a casa velha foi alugada para Mario Mendes, depois para o Sr José Leitinho, Coletor Estadual, pai de José Leitinho Jr, Maria Celi e Fernando. Também morou naquela casa a família do seu Dantas, cujos filhos eram José Olavo, Ernani, Teresa, Maria do Carmo e Icaro.

No mesmo local das casas de Francelino, atualmente, funcionam a “Comida Caseira” e uma das unidades de restaurantes do empresário José Valter e O Banco do Nordeste.

Aguarde no próximo capitulo: A Casa de Dona Emília Viana, a dona do cinema.

AS BRINCADEIRAS DE BATURITÉ I

30 de janeiro de 2010

AS BRINCADEIRAS DE BATURITÉ

Na primeira metade dos anos 50, os filmes “westerns”, geralmente protagonizados por Tom Mix, Roy Rogers, John Mac Brow, John Wayne, Charles Starret, e outros astros, sem exceção, desenvolviam enredos de lutas e aventuras de um xerife e seus auxiliares contra um numeroso bando de bandidos e, muitas vezes, versus tribos de índios.

As roupas diferenciadas, a cartucheira com um revolver na altura da mão com o braço estendido, os cavalos, a diligência, e a briga final no “saloon”, eram detalhes que, juntos, deslumbravam a cabeça infantil fiel ao gênero.

Exaltados com a fictícia heroicidade, o pré-adolescente, ao sair do cinema trazia a mesma pose dos atores.

Era como se dizia: saía todo inchado!

Pois bem. Foi da trama destes filmes, onde eram comuns as figuras do mocinho, do menininho, e do inseparável “doidão”, sempre as turras com os bandidos, que floriu a brincadeira do “cow boys”. Pelas cercanias da Praça Santa Luzia o trio heróico era representado respectivamente por João Rodolfo, Maninho e Chiquinho Goiaba, e, a quadrilha pelos outros: Marcelo Victor, Ideovar, Luciano Santana, Bebeto, João Saraiva, Everton Caúla e outros que fossem chegando.

Um dos esconderijos dos “bandidos” era a garagem da casa do português Manoel Simões, pela rua de trás, o mesmo local onde pernoitava e estacionava o ônibus do seu Lulú.

Num dia de brincadeira, estrategicamente oculto em cima do ônibus, na espreita de “prender um adversário”, de repente, o Bebeto ouviu um ruído, e, inadvertidamente, sem ver ninguém, foi logo bradando:

- “Mãos ao alto”.

A resposta não demorou:

- “Mãos o alto” o que? Desça já daí de cima do meu ônibus cabra traquina, senão vou mandar seu pai lhe dar uma sova.

Ninguém se lembra da cara do Bebeto descendo a escada trazeira do carro, e pior, tendo a frente o próprio, para ele temível, seu Lulú, o todo poderoso dono do ônibus… O que há de certo, porém, é que, o ralho foi tão grande que, nunca mais, nenhuma criança se atreveu jamais usar o dito esconderijo.

UMA PEQUENA HISTORIA DA PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL I

27 de janeiro de 2010

Sobrado dos Macieis na decada de 20

Sobrado dos Macieis na decada de 20

BATURITÉ PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL (I)

A pequena história das residências da Praça Santa Luzia lado do sol, no sentido norte-sul, começam no Sobrado dos Maciéis.

Casarão concluído por volta de 1903, sua amplitude revela o desejo dos donos, coronel Raimundo Ferreira Maciel (1851-1921) e sua digníssima esposa Emília Barbosa Maciel (1862-1946) de constituir uma família amoldada à magnitude da mansão. Dessa forma, tal qual foi planejado, dona Emília, em vinte e um partos, com três abortos e criou dezoito filhos – coisa muito difícil naqueles tempos formou três, um em medicina, dois em direito:

Francisco Barbosa Maciel (1882-1947), o filho mais velho, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, prestou residência em hospital na Alemanha onde se casou com Ema Khrozwinski Maciel. Medido Oftalmologista pouco trabalhou no Baturité, mas se radicou em Mayrink no Estado de São Paulo, ali, prestando serviços para a estrada de ferro;

O segundo filho do sobrado, Godofredo Maciel (1884-1951), advogado, casado com Maria Diana Alcântara Maciel, foi duas vezes prefeito de Fortaleza (1921-1924 e 1924-1928), Deputado Federal e Prefeito do Alto Purus na Amazônia;

Julio Maciel (1888-1967), terceiro filho, foi Promotor e Juiz de Direito em diversas comarcas do interior e na capital casado com Nabirra Acário Maciel. Célebre por compor obras poéticas do porte de “Terra Mártir” (1918), “Poemas da Solidão” (1943), “ABC do Padre Cícero (1944), e “Os versos de Ouro de Pitágoras” (1956), ocupou a Cadeira de n. 28 da Academia Cearense de Letras. Leia o resto desse post »