BRINCADEIRAS DE BATURITÉ (III)

JOGO DE CASTANHAS

O aparecer dos primeiros cajus, agora, no segundo semestre, aguça a saudade do baturiteense, que, criança dos anos 1950, com um cruzado, comprava uma bacia média, cheia de cajus, colhidos debaixo dos cajueiros, no sítio dos Maciéis, detrás do sobrado.

Da casa do morador, ao lado do portão da Rua São Paulo, até o rio, no final do sitio, e a meio caminho destes, do lado direito, havia um lote destinado aos cajueiros.

Diferentes dos exemplares do litoral, rasteiros, juntos, acotovelados em ramos caídos e com poucos frutos, no interior, os cajueiros, mais distantes uns dos outros, erguem-se em troncos altos e grossos, galhos compridos sustentando, ao longo, folhas enxutas, e, nas extremidades, flores acanhadas gerando frutos graúdos e de exuberante beleza.

Inspirados por artistas e artesãos, da formosura do caju abrolham quadros e trabalhos manuais que, além das exposições mais elegantes, também, enchem os mercados e feiras de todo o nordeste de artesanatos em forma de toalhas, panos de copas, objetos de decoração em barro etc.

Rico em quase todas as vitaminas, naquele tempo em Baturité, os adultos, durante a safra do caju, não precisavam se preocupar com a merenda das crianças, porque, elas mesmas se encarregavam de adquirir o pedúnculo que, então, de tão barato, chegava a fazer lama no chão.

Do não dito, vale a pena dizer, que, no meio da garotada baturiteense, não obstante o valor nutritivo do caju, nele, havia outro apego muito maior: a castanha.

Os cajus passavam, mas, ficavam as castanhas.

A castanha circulava junto à criançada, e, mais que as cédulas de carteiras de cigarros, elas representavam uma verdadeira moeda, objeto de apostas em diferentes jogos.

O jogo de castanha, mais apostado, se disputava nas calçadas. Ali, com um pedaço de carvão, se desenhava um triangulo distante alguns paços de uma linha. A dificuldade consistia em impelir o dedo indicador de uma mão, esticado com o mesmo dedo da outra mão, isso, para, a partir da linha, mover uma tampa, chamada castelo, tudo ou nada, para tirar as castanhas apostadas de dentro do triângulo.

Cada um jogava sua vez, e, ganhava aquele que mais castanhas conseguia tirar do triângulo, acionando o castelo.

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