PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL
CAPITULO V
Na década de 1950, no final do turno da manhã a Praça Santa Luiza se maravilhava com o alarido de moças e rapazes, adolescentes, estudantes dos dois colégios salesianos – dos padres e das irmãs – que subiam a Rua Dom Bosco num matiz colossal.
No meio deles, dois alunos dignos de memória: Lisete, uniformizada, saia azul marinho plissada, blusa branca, gravatinha da mesma cor da saia; e, o irmão, Inácio, farda em caqui, calça de Brim Floriano e camisa de tricoline a ostentar sobre tom.
Filhos do Seu Almeida e Dona Lili Viana, irmãos de Joseli e Nazaré, eles moravam na quinta casa da PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL a mesma da Tia Rosenda enquanto não se mudou para Fortaleza.
Da candura da mãe, Lisete herdou seu jeito doce de ser – apaixonada pela vida.
Muito espontaneamente, Lizete exerceu liderança entre suas amigas que não eram poucas; quem pode esquecer, das meninas, lindas, na flor da idade, aprendendo a fumar, naturalmente para imitar as artitas de cinema e outras celebridades que mostravam sua elegancia fumando cigaros.
Sentadas em roda, elas acendiam o cigarro que passava de mao para se deliciarem em gostosas tragadas. Isso tudo escondido dos adultos, alias se chegasse algum de surpresa, elas eram, até, capazes de engolir o cigarro aceso.
Também gente muito boa, o irmao mais mais novo de Lisete, o Inácio, era o tipo de filho que todo pai gostaria de ter: inteligente, criativo e trabalhador.
Inácio, desde rapazinho, sabia ganhar dinheiro mesmo com a pouca idade que tinha. Sem televisão, naquele tempo, com um projetor manual ele fazia funcionar, em casa, o Cine Cai, Cai Balão.
Exibindo, quase sempre, o mesmo filme de curta metragem com 16 mm, a preços irrisórios, conseguia lotar a sala. Ali, na dupla função de bilheteira e porteira a Nazaré se gabava de não deixar ninguém entrar sem pagar.
Chegado o mês de junho Inácio montava sua bodega de fogos: expunha a mercadoria numa caixa de charuto; destaque para as caixas de traques embaladas em papel de seda de diferentes cores. Seus concorrentes na bodega eram o Chinês, filho do Seu Clarindo, e o Souzinha do Seu Napoleão, estes, mais especializados, vendiam bombas de pipoco fabricadas por um certo Mudo ou pela Dona Isabel das Lages.
Depois do ano letivo o Inácio, no mais, era o preparador dos alunos reprovados que tinham direito a segunda época – recuperação.
Quando o reforço escolar não dava jeito, os atrasados repetiam o ano uma, duas, três vezes até conseguir passar, sem embargo das chineladas na bunda ou castigos hoje substituídos por sessões de psicologia terapêuticas.
Antes de se mudar para Fortaleza, onde se destacou como jornalista, a outra atividade exercida pelo jovem Inácio em Baturité, foi de distribuidor de revistas, mas, sendo que, desta feita, ele já se valia de auxiliar: o “free lancer” Elias, o popular Meio Quilo.
Em próxima edição virão mais duas casas que completam as quatro ocupadas pelos irmãos do Seu Raimundo Viana.
Aguardem.