AS BRINCADEIRAS DE BATURITÉ II – “O RUBALÉ”

BRINCADEIRAS DE BATURITÉ (II)

O RUBALÉ

Contíguo às recordações do amigo João Alberto Figueiredo, baturiteense, como eu, ligado à história e causos de nossa velha cidade, a seu pedido, juntei lembranças dele com as minhas, para fazer o registro de uma brincadeira, muito interessante, de Baturité: O RUBALÉ.

Inventada a partir do pega-pega, o RUBALÉ era uma brincadeira de grupo, exclusiva dos meninos e rapazes e jamais das meninas e moças, praticada nas calçadas em volta da igreja de Santa Luzia..

Do curioso nome RUBALÉ ninguém sabe a origem; mas tem-se como certa que além-mundo de Baturité, o RUBALÉ, nunca foi praticado em nenhum lugar.

Começava no lado de traz da igreja, esquina sudoeste, onde um participante era escolhido, entre os demais, por sorteio, “par ou impar”, por exemplo, para ser o pegador – o RUBALE.

Na dita esquina, quase em frente aos estúdios da Radiadora de Baturité, o RUBALÉ ficava aguardando a autorização de partir em disparada para pegar qualquer um do grupo prontamente distanciado no patamá.

O primeiro que se deixasse pegar seria o próximo RUBALÉ. Ficava livre, porém, quem desse a volta na igreja até conseguir atingir o ponto de onde partira o perseguidor, local que, então, passava a ser a mancha ou manja.

A dificuldade tornava-se emocionante porque o “Rubalé”, muitas vezes, ao invés de correr, diretamente, até pegar algum, durante a perseguição, manhosamente, preferia se valer do escuro, para se ocultar nas portas do templo que por serem fundas não dava para perceber em qual delas ele se escondia para dar o bote final.

Quando todo o grupo, num momento de vacilo do RUBALÉ, conseguia chegar de franco na manja, então o RUBALÉ continuava cumprindo sua mesma função. Se, em três vezes seguidas não pegasse ninguém, para castigo, já estavam guardadas, algumas pedras grandes, para ele, o RUBALÉ, chocá-las como se fossem ovos, e daí… : as mangações corriam soltas.

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2 comentários para “AS BRINCADEIRAS DE BATURITÉ II – “O RUBALÉ””

  1. PEDRO ANGELO disse:

    MANINHO,

    Meu mano só esqueceu um detalhe, talvez o mais pitoresco, das noites de RUBALÉ em volta da Ig.Sta.Luzia. Ou então é impublicável (acho que não), mas fique à vontade para excluir da sua página. O pitoresco foi o seguinte:

    EU ERA CRIANÇA, APROX.7 ANOS. UMA NOITE, OS MAIS VELHOS (meu irmão Augusto, Luciano Santana, Zé de Deus), resolveram fazer uma sacanagem com o mais novos. PEGARAM O PAU DO RUBALÉ E MELARAM TODO DE CÔCO DE VACA QUE TINHA UMA NO NOSSA QUINTAL. E O TOINHO (meu irmão) ME AVISOU PARA EU NÃO CORRER ATRÁS, SEM DIZER O POR QUE. AÍ UM MAIOR SAIU CORRENDO E FACILITOU PARA QUE UM DOS MENORES O ALCANÇASSE E PEGASSE NO PAU (ACHO QUE FOI O TICO, DO SEU ZÉ MESQUITA, QUEM PEGOU) E AÍ QDO O MENOR PEGOU, VIBRANDO, PORQUE TINHA ALCANÇADO O ADULTO, o cara arrastou o pau de uma vez só e o menor ficou com as mãos cheias de merda !!! kkkk aí foi gozação o ano inteiro. ISSO FOI APROXIMADAMENTE EM 1955 e eu ainda não esqueci. VOCÊ LEMBRA DISSO OU NÃO SOUBE ? um forte abraço e parabéns por seu incansável trabalho em divulgar o nosso Baturité. Qualquer dia vou lhe mandar alguma recordação.

  2. Maria Ivete Mendes Matoso disse:

    Que maravilha! Nasci em Baturité, mas logo meus pais voltaram para Fortaleza, sempre quis saber histórias sobre as pessoas desta linda cidade, histórias assim como essa. Gostei muito vou continuar lendo, pois vejo que tem muitas histórias gostosas de ler.Parabéns pelo seu belo trabalho Manhinho.

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