BATURITÉ PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL (I)
A pequena história das residências da Praça Santa Luzia lado do sol, no sentido norte-sul, começam no Sobrado dos Maciéis.
Casarão concluído por volta de 1903, sua amplitude revela o desejo dos donos, coronel Raimundo Ferreira Maciel (1851-1921) e sua digníssima esposa Emília Barbosa Maciel (1862-1946) de constituir uma família amoldada à magnitude da mansão. Dessa forma, tal qual foi planejado, dona Emília, em vinte e um partos, com três abortos e criou dezoito filhos – coisa muito difícil naqueles tempos formou três, um em medicina, dois em direito:
Francisco Barbosa Maciel (1882-1947), o filho mais velho, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, prestou residência em hospital na Alemanha onde se casou com Ema Khrozwinski Maciel. Medido Oftalmologista pouco trabalhou no Baturité, mas se radicou em Mayrink no Estado de São Paulo, ali, prestando serviços para a estrada de ferro;
O segundo filho do sobrado, Godofredo Maciel (1884-1951), advogado, casado com Maria Diana Alcântara Maciel, foi duas vezes prefeito de Fortaleza (1921-1924 e 1924-1928), Deputado Federal e Prefeito do Alto Purus na Amazônia;
Julio Maciel (1888-1967), terceiro filho, foi Promotor e Juiz de Direito em diversas comarcas do interior e na capital casado com Nabirra Acário Maciel. Célebre por compor obras poéticas do porte de “Terra Mártir” (1918), “Poemas da Solidão” (1943), “ABC do Padre Cícero (1944), e “Os versos de Ouro de Pitágoras” (1956), ocupou a Cadeira de n. 28 da Academia Cearense de Letras.
***
Dos outros filhos do casal, sem embargo da intelectualidade de cada um, pelo menos os quatro abaixo, são figuras inesquecíveis que, há seu tempo, ajudaram a colorir o cotidiano urbano de Baturité:
Honorina Maciel Severiano, nascida em 1886, esposa de Julio Severiano da Silveira, (1884-1923), o ativista político que em 1912 organizou a passeata para comemorar o fim da oligarquia (1896-1912) de Nogueira Acioli. Em determinado momento dessa caminhada o delegado Manoel do Rego Falcão foi morto com um tiro no pescoço. Acusado de autoria do disparo Julio Severiano foi submetido a processo arquivado por falta de provas. Apesar de inocente, anos depois Julio Severiano foi justiçado com um tiro, à traição, que o deixou prostrado por muito tempo. Júlio e Honorina, enquanto casados moraram no anexo vizinho ao sobrado.
Jehovah Barbosa Maciel (1896-1952), Tesoureiro, Secretário e Orador da Prefeitura de Baturité casado com Araci Cordeiro, filha de Francisco Cordeiro de Souza, Intendente Municipal eleito em 1906, este irmão do senador João Cordeiro; na era Vargas Jeovah Maciel foi nomeado Prefeito da então cidade de União, hoje Jaguaruana pelo interventor Carneiro de Mendonça.
Iza Maciel, batizada Luíza (1903-198X), foi vulto impar da sociedade baturiteense na segunda e terceira década do século passado, viveu os momentos de grande rivalidade entre os então jovens perequetés, chefiados por ela, versus os rothschilderes da casa burguesa Jose Pinto do Carmo. A disputa entre os dois grupos consistia em saber qual deles era capaz de realizar os melhores bailes. O baile vencedor, além do critério animação, seria o simultaneamente mais longo. Numa dessas festas, enquanto os rotschilderes se viam vencedores, eis que um músico dos perequetés tocou o último clarim de alto de uma mongunbeira da praça. Casou-se Iza Maciel com o Sr. Eurico Lopes, ambos em idade avançada, sendo ela a última filha de Raimundo e Emilia a se mudar para Fortaleza, isso na década de 1970.
Heitor Maciel (1914-1972), casado com Elsa Barros Maciel, não havia na cidade quem não conhecesse esse que era o filho caçula do sobrado. Heitor Maciel, agricultor, destacou-se como um comunista sempre perseguido, mas nunca encontrado pelo sargento Sebastião. Homem irreverente Heitor, quando jovem, foi expulso do Colégio Militar, e, homem feito, gastava o lucro de uma safra numa única farra. Heitor Maciel era freguês do Bar do seu Leôncio aonde, quando chegava da serra, mandava servir quatro garrafas de cerveja à sua montaria, a burra de nome Favela, enquanto ela sorvia a Bohemia, ele tomava seu uísque com os amigos.
***
Em algumas ocasiões o sobrado teve inquilinos:
Na década de 1940, foi alugado para residência do Prefeito-Interventor Raul Correia Lima. Este certa feita, aproveitando a grandiosidade da casa, hospedou, em seus treze quartos, um grande grupo de religiosos vindos de Fortaleza para assistir um Congresso Eucarístico dirigido pelo comendador Ananias Arruda. Nesse acontecimento religioso, lembrava o saudoso edil que, o envolvimento do acontecimento era de tal forma que: quem se encontrava na cidade e não sabia cantar, pelo menos, assoviava o hino do congresso.
De 1952-1954, também na qualidade de inquilino morou no sobrado o então comerciante e político, Mário Maciel Mendes (1917-2001) esposo de dona Rita Carneiro Mendes, pais de Pedro Alberto, o Bebeto; Mario Junior, o Maninho; e Maria Augusta, a Duduia; Luiz Eduardo, falecido criança, e Pedro Mendes Machado Neto, caçula.
Pelas mãos do renomado médico cirurgião Dr. Marcelo Holanda o sobrado, também, teve seus dias de Hospital, a lembrança desse momento é tão marcante que muitos ao referir ao prédio o lembram como o HOSPITAL DO DOUTOR MARCELO.
***
Hoje o sobrado pertence ao advogado Dr. João Viana, de tradicionalíssima família baturiteense. Pelo zelo que o tem conservado, se vê o respeito do dono pelo valor histórico do imóvel.
Aos que visitam a casa, ainda hoje, se impressionam, logo à primeira vista, com a escada rotatória que há mais de cem anos serve de ligação do térreo com o andar superior.
***
Aguardem, no Capitulo II, a pequena história das residências das irmãs, cunhados e irmão do industrial, comerciante e político Raimundo Viana.
Tags: Godofredo Maciel

DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA…
“As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
têm direito inalienável à Verdade, Memória,
História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado
O MASSACRE APAGADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA
No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi o MASSACRE praticado por forças do Exército e da Polícia Militar do Ceará em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do Sítio da Santa Cruz do Deserto ou Sítio Caldeirão, que tinha como líder religioso o beato “JOSÉ LOURENÇO”, paraibano de Pilões de Dentro, seguidor do padre Cícero Romão Batista, encarados como “socialistas periculosos”.
O CRIME DE LESA HUMANIDADE
O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.
A AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELA SOS DIREITOS HUMANOS
Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará É de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira e pelos Acordos e Convenções internacionais, por isto a SOS – DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo que: a) seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) sejam os restos mortais exumados e identificados através de DNA e enterrados com dignidade, c) os documentos do massacre sejam liberados para o público e o crime seja incluído nos livros de história, d) os descendentes das vítimas e sobreviventes sejam indenizados no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos
A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO
A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, redistribuída para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá foi extinta sem julgamento do mérito em 16.09.2009.
AS RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5
A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do Sítio Caldeirão é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do Sítio Caldeirão não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;
A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA
A SOS DIREITOS HUMANOS, igualmente aos familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo desaparecimento forçado de 1000 pessoas do Sítio Caldeirão.
QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA
A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem encontrar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes procurados no “Geopark Araripe” mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?
A COMISSÃO DA VERDADE
A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e que o internauta divulgue esta notícia em seu blog, e a envie para seus representantes na Câmara municipal, Assembléia Legislativa, Câmara e Senado Federal, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal que informe o local da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão.
Paz e Solidariedade,
Dr. OTONIEL AJALA DOURADO
OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
http://www.sosdireitoshumanos.org.br