O PADEIRO
Cesto, lona, e fregueses, além disso, João Papôco não precisava de nada para sair, lá das bandas da Praça da Matriz até o Putiú vendendo pão.
Não me lembro a que hora ele religiosamente descia. Não esqueço, porém, do canto alto, arrastado, e extremamente agudo com que oferecia o comestível simplório:
- Pãooooooooo….. quenteeee!!! Da Padaria São Vicente!!!!!!
Ao que a negrada continuava em cima das buchas:
- Quem come dele cai os denteees!
Se ele gostava ou não do repique, também, não sei.
O certo, porém, é que ao coro insultante, ele treplicava, o mesmo jargão, desta vez e com a veemência que podia alcançar ele esbraveja o grito:
- Pãooooooooooooo….. quenteeeeeeeee!!!, Da Padaria São Vicenteeeee!!!!!
Pelo que a negrada, do mesmo modo, respondia, com a ênfase de mais adeptos do insultar:
- Quem come dele cai os denteeeeeeeeees!
Incansável, cesto ao ombro, cesto ao chão, ele, pacientemente, ia despachando os fregueses, indiferente aos agravos.
Quem tinha algum dinheiro saciava o bucho com a saudável merenda recém saída do forno. Quem não tinha nenhum, ao invés de encher os olhos de lagrimas pela fome, como consolo, enchiam os pulmões de ar para aumentar o volume do coro que insultava ao João.
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