A Rua de Trás

As casas do lado da sombra da Praça Santa Luzia, por um portão nos fundos, se correspondiam com a Rua João Cordeiro, mais conhecida como a Rua de Trás, isso, porque ficava nos fundos da Igreja de Santa Luzia.

Em seguida à ladeira de acesso ao Sítio do Seu Nezim, a Rua de Trás começava num monturo com muitos focus de queima.

Pegada ao munturo a primeira casa era da Dona Olindina, fincada num sítio grande e intransponível, de lá, nunca se via, ninguém, entrando ou saindo.

O sitio logo acima à Dona Olindina, que antigamente pertenceu ao meu avô, Pedro Mendes, este ao contrário daquele, era escancarado para todos e qualquer um. Ali morava o modestíssimo casal Manezinho e Ana criando seus filhos Zé Goiaba e Chiquinho. O casal vivia de prestar serviços domésticos, ele na pensão do seu Canuto e ela nas casas das famílias mais intimas, principalmente da dona Altair do seu Victor. O resultado do trabalho, com certeza mal dava para criar os filhos no meio das criações dos porcos e outros bichos que o Manezinho sempre os tinha.

Depois deste sítio residiam os Garcías. Parentes da minha mãe, antigos donos das Cajazeiras, no distrito de Pesqueiro no Capistrano. Chefe da família Dona Maria Garcia tinha seus agregados. Uma prima a Belinha, uma empregada a Raimunda Matias, e os sobrinhos afilhados Airton, Leni, Ivanirton e Valdeliz, Nicinha e Enide. O Ivanirton era um exímio fabricante de brinquedos. Fazia perfeitas replicas dos caminhões que circulavam em Baturité.

Imediatamente acima destes últimos o vizinho era Antonio Porfírio, casado com Dona Iza Victor, os dois pais de Hildão, que se casou com Enide sobrinha de Dona Maria Garcia, Antonildo que se casou com Olga, Edson, que se destacava por beber muita cachaça e ser meio “imbuanceiro”, sempre armado de amolada peixeira. Os irmãos mais novos eram o Paulo Victor, solteiro vacinado e muito namorador e a única irmã de nome Hilda. O velho Antonio Porfírio era um homem muito bom, calmo, fala mansa de católico dos mais fervorosos. Vivia da agricultura explorando um sítio no começo da Rua São Paulo, atrás do Sobrado dos Maciéis, perto da Boa Vista, onde produzia uvas, macaxeiras e outros produtos.

Meia parede com o Porfírio a rua prosseguia na casa mais bem cuidada do pedaço. Seus donos eram Dona Clarice e Zé Mesquita. Os filhos eram os gêmeos Antonio Augusto e Odília, a Noélia – já falecida -, o muito bom de bola Carlinhos, Titico e mais dois irmãos que por serem menores não tive o prazer de tê-los como colega de infância: o José, Dudé para os íntimos e Fátima. Essa última acabou sendo a administradora da casa quando os pais ficaram velhos em Fortaleza. O Carlinhos, hoje, tem um restaurante na Praça da Rua Érico Mota, muito freqüentado por baturiteenses.

Posteriormente à casa do Zé Mesquita, minha lembrança se confunde. Lembro-se da casa dos Viana, onde, então, não residiam, mas sim o português José Dias da Farmácia Mattos, pai de Gilberto e da Fátima. Não me lembro, também, se foi nesta mesma casa que habitou o coletor federal Rubens Santana, pais do Mário Edson que casou com a Leene Viana, Roberto, depois engenheiro da Reffsa, Luciano, Stênio e Socorrinha, uma linda criança, muito branquinha que falava com a língua pregada, ao responder como se chamava ela falava:

- Malia do Totorro Maciel Tantana.

Mais adiante moravam os Figueiredo, enquanto o marido cuidava do imenso sítio na serra a esposa, Dona Puri, cuidava dos filhos que não eram poucos, o Chico Aviador, amigo do Ivanirton, a Angélica, cujo nome fazia justiça a sua pessoa realmente angelical; o Toinho, meu colega em várias passagens, na infância, juventude e agora na boa idade; o João Alberto e o Pedro Ângelo que pela pouca idade, na época, não se fizeram amigos de infância de nossa geração. .

Posteriormente aos Figueiredo, moravam os Campos. Raimundo, padrinho do meu irmão Bebeto, sua esposa Dona Maria Campos, o casal tinha a filha Auxiliadora, uma linda criaturinha, muito amiga da minha irmã Duduia, e, o filho Francisco, hoje apelidado de Chico Papa, dizem, porque, na família do seu pai, cheia de padres e bispos, só faltava o papa que ficou sendo ele. Moravam com eles os tios, quase irmãos, Wilza, e Aristóbulo, esse um grande companheiro nas brincadeiras, os dois, se diziam de Acopiara, mas por tudo, e, por todos eram considerados baturiteenses.

Ainda subindo um pouco mais me lembro dos Lopes, do Aloísio, de inteligência impar, do Audísio, eles tinham duas irmãs solteiras, todos e todas, de gênese mais velha que a nossa.

Depois dos Lopes tenho na lembrança um rapaz de nome Zé de Deus, outro bom de bola e de outras brincadeiras, dele nunca mais se teve notícias.

Antes de chegar à Fábrica Velha, e para terminar, não dá para esquecer, de um sobrado, talvez, pelo estilo da época, revestido de listras horizontais entremeadas de cores vermelhas e brancas. Este foi construído por Manoel Felício Maciel, seringalista, ex-coronel Franco Atirador da Campanha de Integração do Acre, tio de meu pai, que morreu assassinado no seu seringal no Amazonas.

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