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	<title>Maninho do Baturité</title>
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	<description>Um pouco da história da cidade de Baturité/CE e seus filhos!</description>
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		<title>Apesar de tudo, o futuro chegou&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Sep 2010 20:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maninho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Apesar de dirigentes semi-analfabetos e preguiçosos que induzem a população a crer que não é preciso estudar nem trabalhar para vencer na vida; apesar das alianças com parlamentares, inescrupulosos, desonestos, mentirosos e corruptos; apesar do loteamento do poder com políticos sem escrúpulos; apesar das roubalheiras nas prefeituras; apesar das quadrilhas de mensalão; apesar do boom [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar de dirigentes semi-analfabetos e preguiçosos que induzem a população a crer que não é preciso estudar nem trabalhar para vencer na vida; apesar das alianças com parlamentares, inescrupulosos, desonestos, mentirosos e corruptos; apesar do loteamento do poder com políticos sem escrúpulos; apesar das roubalheiras nas prefeituras; apesar das quadrilhas de mensalão; apesar do boom do tráfico de drogas; apesar, afinal, de tantos desmandos, descasos, tramóias e maracutaias&#8230;</p>
<p>APESAR DE TUDO&#8230;</p>
<p>O povo, ainda, entrega aos políticos a esperança de melhores condições de vida, festejando a mais simples obrigação de fazer com avultadas aprovações de IBOPE. Tome-se como exemplo a resposta eleitoral da faixa populacional que, inesperadamente, se viu na faixa de consumo que, apenas, lhe garante parca sobrevivência.</p>
<p>A insignificância mesma de saber-se livre da inanição faz o pobre agradecido, até, concordar que, em meio de tanta safadeza, o poder não sabe de nada.</p>
<p>Não vai demorar, entretanto, o tempo do menos favorecido desconfiar da “caridade”, oportunidade em que deixará de ser enganado, e entender que, em breve, também, poderá ser bem sucedido, intelectual e financeiramente, sem ser culpado pelo infortúnio de alguém. </p>
<p>Devido à melhoria de padrões, muitos brasileiros da população emergente, já, reconhecem nos hábitos saudáveis de trabalhar, estudar e aprender outras línguas a única maneira de vencer neste mundo globalizado. Na verdade são pessoas que vêem este país crescendo mais pelas potencialidades e menos pela ação política&#8230;</p>
<p>Melhor será quando concluírem que esta nação cresce, apesar dos políticos.</p>
<p>Contrariando todos os precedentes, abrir-se-á no Brasil, na próxima década um enorme leque de diferentes chances de trabalho. Por ordem prática há de suscitar na consciência de cada um, que essa maré de prosperidade, não chega pelas mãos do Estado.</p>
<p>O novo desenvolvimento é produto do potencial nacional, da capacidade e da criatividade do povo, que, pouco a pouco, vai deixando de esperar a salvação somente pelas mãos do governo, muito embora sabendo que nenhum país pode viver sem governo.</p>
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		<title>MINHAS IDÉIAS</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Aug 2010 11:12:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maninho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informes]]></category>

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		<description><![CDATA[MINHAS IDÉIAS 
Coordenado pelo filho, advogado e escritor Pedro Alan Mendes Maciel, MINHAS IDÉIAS (*), de José Maciel, é a reprodução em livro, da seleção de 100 crônicas do escritor baturiteense publicadas nos jornais de Fortaleza e no semanário A Verdade de Baturité.
Tiradas do manancial de mais de mil trabalhos literários, Pedro Alan, ao concluir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>MINHAS IDÉIAS </p>
<p>Coordenado pelo filho, advogado e escritor Pedro Alan Mendes Maciel, MINHAS IDÉIAS (*), de José Maciel, é a reprodução em livro, da seleção de 100 crônicas do escritor baturiteense publicadas nos jornais de Fortaleza e no semanário A Verdade de Baturité.</p>
<p>Tiradas do manancial de mais de mil trabalhos literários, Pedro Alan, ao concluir sua triagem, conforme bem afirmou Camilo Furtado no prefácio da incomum obra, dispôs, “na imortalidade do livro, fatos e episódios que, fatalmente, morreriam nos jornais”. </p>
<p>Prosador excepcional do velho torrão, José Maciel enquanto dedicou à sua terra a temática de profusas crônicas acabou convertendo MINHAS IDÉIAS, num compêndio que, a custa do valor histórico-literário, tornou-se de leitura obrigatória para quem quiser reviver os costumes dos tempos áureos de Baturité.   </p>
<p>No blog www.maninhodobaturité.com.br , , sob autorização de  Pedro Alan, que é meu primo, da lavra de José Maciel, publiquei as crônicas  A Pedra Aguda, Coisas de Outrora, Canuto Ferro de Alencar e o Come Unha, material literário a retratar a fidalguia do homem que, escrevendo, dá à gente graúda o mesmo trato que dedica aos tipos populares.</p>
<p>Claras, imparciais e comprovadas, quem tiver o cuidado de se deter nas entrelinhas de José Maciel, na certa, encontrará, sintetizado em pequenos quadros, fatos da vida social, que ele mesmo protagonizou, como, por exemplo, da intelectualidade da Boemia Serrana, poucas vezes ajuizada e muitas vezes imprudente.<br />
Isso é História.          	 </p>
<p>(*) Maciel, José. Minhas Idéias/Crônicas. Editora Aula. Rio. 1986 </p>
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		<title>Praça Santa Luzia Lado do Sol VII</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 10:41:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maninho</dc:creator>
				<category><![CDATA[HISTÓRIA DA CIDADE]]></category>

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		<description><![CDATA[A pequena história da Praça Santa Luzia lado do Sol, agora baixa âncora na residência do Seu Orlando Viana e sua esposa dona Tilde,  os dois, pais de Maria Coeli e Ayres. Sétima casa do pedaço, e a quarta e última da familia Viana.  
Diferentemente do irmão, o dinâmico, Raimundo Viana, industrial, comerciante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A pequena história da Praça Santa Luzia lado do Sol, agora baixa âncora na residência do Seu Orlando Viana e sua esposa dona Tilde,  os dois, pais de Maria Coeli e Ayres. Sétima casa do pedaço, e a quarta e última da familia Viana.  </p>
<p>Diferentemente do irmão, o dinâmico, Raimundo Viana, industrial, comerciante e político, o seu Orlando Viana era um homem, sem ambiçao, de modestos recursos, apolítico, que ganhava a vida com seu ônibus.</p>
<p>Aparentando idade maior daquela que realmente tinha, o seu Orlando era meio barrigudo, simples no modo de se vestir e dessas pessoas que não se incomodava com a vida de ninguém.</p>
<p>Transformado de um caminhão Internacional, verde oliva, modelo da década de 1930, o ônibus do seu Orlando, religiosamente, obedecia e dava suporte ao movimento dos trens de passageiros rodando exclusivamente de acordo com seus horários fazendo o trajeto Estação-Centro.</p>
<p>Descuidado, na maior parte do tempo parado, o coletivo ficava estrategicamente estacionado, a sol e chuva,  em frente à residência da praça, local certo para aproveitar o declive, posição exata, para, sem empurrão, acionar o motor independente de manivela ou bateria.</p>
<p>De Baturité, carro e dono, nunca foram esquecidos, mas, na verdade eles deveriam ser pensados o primeiro como coisa, e o segundo pessoa, ambos, pertencentes à História, escrita assim, com “H” maiúsculo.</p>
<p>Interrompido, até hoje, com sua falta, o seu Orlando Viana foi o continuador do transporte coletivo da cidade, serviço começado pelo pioneirismo de José Pinto do Carmo, nas primeiras décadas do século passado, no tempo em que os carros tinham apelido &#8211; sua marinete era conhecida como “O boi”.</p>
<p>Depois do “Boi”, outra camioneta, a manivela, alcunhada de Maria Rosa, também se propôs a transportar pessoas entre a estação e o centro, também, só nos horários do trem. No Café Central do seu Fransquim, existia um painel de fotos antigas que mostrava a Maria Rosa tendo à frente o seu proprietário, um cidadão da tradicional família Bonates.</p>
<p>Como o assunto acabou em transporte, lembrem-se, no mais, da Fóbica do Zé Lobo o único automóvel de aluguel que rodava no município, este, depois, transformado em ola, e, para terminar, para quem não sabe da charrete, de tração animal, do coronel Ananias dirigida por uma senhora de nome Rosa. </p>
<p>Fonte de Pesquisa Antonio Francelino e João Rodolfo.</p>
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		<title>UMA IDÉIA SIMPLES</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 23:08:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maninho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informes]]></category>

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		<description><![CDATA[O cuidado com o visual das cidades, ao regulamentar o uso de placas e “outdoors” das ruas, continua sem perceber outro tipo de poluição visual que, muito mais vivamente fere os princípios da estética:
Os emaranhados de fios, “gambiarras grosseiras”, talvez, até mesmo, sem obedecer aos fundamentos da engenharia elétrica, sustentadas por uma enfiada de postes, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O cuidado com o visual das cidades, ao regulamentar o uso de placas e “outdoors” das ruas, continua sem perceber outro tipo de poluição visual que, muito mais vivamente fere os princípios da estética:<br />
Os emaranhados de fios, “gambiarras grosseiras”, talvez, até mesmo, sem obedecer aos fundamentos da engenharia elétrica, sustentadas por uma enfiada de postes, que, também sem critérios, correm as calçadas das cidades.</p>
<p>Some-se a essa prática repugnante, o fato de inverter valores, quando os governos, empurrando na goela do povo, dão o “direito” às empresas de eletricidade e telefonia de cortarem as árvores públicas – crime ambiental – em nome da proteção do modelo atrasado de condução aérea de energia ou telefonia, há muito, em desuso nos centros civilizados.</p>
<p>Se recursos dessa aberração têm algo a ver com a taxa de iluminação pública paga pelo usuário do serviço de energia, é chegado momento de se protestar contra o mau uso desse imposto disfarçado.</p>
<p>Aos políticos de espírito alentado, a propósito do assunto, lembre-se, como criar empregos nesse momento de crise, e, imaginem, sem gastar nada do erário: </p>
<p>Bastam criar uma lei obrigando as distribuidoras de energia e telefonia a conduzir seus fios por debaixo do chão.</p>
<p>A solução de transformar a prática de perigo à vista num projeto moderno de fiação subterrânea, uma vez entregue às construtoras, com certeza, atenderá um interesse mútuo: alcançar o bem almejado empregando mão de obra carente.      </p>
<p>Para as Câmaras Municipais, o impacto de uma Lei pioneira bem elaborada nesse sentido, enseja aos vereadores uma grande prova de amor, e exemplo, aos, quase, seis mil municípios brasileiros que também sofrem do mesmo mal.</p>
<p>Cara ou barata, essa idéia simples, reconhece o elevado preço. Mas, em contra partida, sabe-se, também, que a iluminação pública que se paga, de igual modo, não é barata! </p>
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		<title>DESTRUIÇÃO DO PASSADO</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 2010 20:34:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maninho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informes]]></category>

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		<description><![CDATA[A DESTRUIÇÃO DO PASSADO
A destruição do passado é um dos “fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX”, (Hobsbawm, Eric. Era dos Extremos. O breve século XX – 1914-1991. Tradução Marcos Santarrita. 2ª. Edição. Cia das Letras. São Paulo. 1997.) uma realidade, que infelizmente, voraz, se penetrou neste.
Egressa de escritor estrangeiro, a citação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A DESTRUIÇÃO DO PASSADO</p>
<p>A destruição do passado é um dos “fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX”, (Hobsbawm, Eric. Era dos Extremos. O breve século XX – 1914-1991. Tradução Marcos Santarrita. 2ª. Edição. Cia das Letras. São Paulo. 1997.) uma realidade, que infelizmente, voraz, se penetrou neste.</p>
<p>Egressa de escritor estrangeiro, a citação acima, por si, comprova um fato mundial, do qual Baturité, também, não resistiu, haja vista a dissipação do seu patrimônio arquitetônico por parte do poder público, ao longo do tempo, muitas vezes, até, com o aprove-se de parte da população. </p>
<p>O processo desbragado tem como maiores exemplos, a injustificável demolição do Mercado das Carnes, inaugurado a 31/05/1896, para dá lugar ao atual prédio de estilo desbotado do Banco do Brasil; de outra feita, o prédio do Centro Comunitário, que obedecendo, talvez, a única diretriz do mau gosto da colher do pedreiro que o construiu tomou o lugar do palacete de Luiz Severiano Ribeiro; e, finalmente &#8211; para não se estender muito &#8211; pecado de administração dos anos 1970, a primeira reforma da Praça Santa Luzia foi um verdadeiro e horrível cataclismo que soterrou definitivamente todo o belíssimo formato original idealizado e executado pelo atuante prefeito Ozimo de Alencar (1932- 1934). </p>
<p>Felizmente a irracionalidade, dessa última “arte”, pelo menos, poupou o velho coreto para, estático e mudo, testemunhar o tempo em que de seu interior se espalhava dobrados, marchinhas, fox, tangos, boleros, maxixes, choros e outros ritmos que, tão bem, animavam as retretas. Do lado cômico disso, o saudosismo recorda o maestro mestre Permínio, às turras com o Peixoto de Alencar, a chupar limão na frente de seus músicos provocando excesso de salivas a impedir desempenho melhor dos instrumentos de sopro.</p>
<p>Quem de modo imparcial se investe da principal tarefa de historiador, que nunca é de julgar, mas de compreender, tem a obrigação de compreender certas deliberações de competência, mesmo com a dificuldade que se tem para compreender.  </p>
<p>Na verdade, o homem moderno, enquanto alteia um espécime de presente contínuo, adota uma lei, de vida e história, que lhe faculta destruir o velho, desde que em seu lugar, possa construir o novo. Prática de raízes utilitaristas que não vislumbra passado, presente e futuro correndo juntos na corrente interminável da história.</p>
<p>De súbito, não anunciado, mas esperado, em boa hora veio à tona o atual projeto de reforma da Praça Santa Luzia, é claro, porque aquela coisa não podia continuar como estava: num caos. Mas porque o coreto ficou fora do desenho surgiram reclamos e mais reclamos de toda parte. </p>
<p>Encanecidas as reclamações se deram pelo simples fato dos mais velhos, que viveram a segunda metade do século e a primeira década deste, se sentirem no direito de verem conservadas certas relíquias do passado que são partes da sua própria vida.</p>
<p>No caso do coreto, já derrubado, estando na casa do sem jeito, o que resta, e a idade ensina, é recorrer à paciente e santa tolerância. Esquecer as frases de protestos que perderam o significado e, esperar o desdobramento de um planejamento de ouro que dê ao logradouro em questão a beleza que merece. Tudo é claro, a critério da Prefeita, cujo bom gosto, é coisa que não lhe falta. </p>
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		<title>BRINCADEIRAS DE BATURITÉ (III)</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 11:17:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maninho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informes]]></category>

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		<description><![CDATA[JOGO DE CASTANHAS  
O aparecer dos primeiros cajus, agora, no segundo semestre, aguça a saudade do baturiteense, que, criança dos anos 1950, com um cruzado, comprava uma bacia média, cheia de cajus, colhidos debaixo dos cajueiros, no sítio dos Maciéis, detrás do sobrado.
Da casa do morador, ao lado do portão da Rua São Paulo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>JOGO DE CASTANHAS  </p>
<p>O aparecer dos primeiros cajus, agora, no segundo semestre, aguça a saudade do baturiteense, que, criança dos anos 1950, com um cruzado, comprava uma bacia média, cheia de cajus, colhidos debaixo dos cajueiros, no sítio dos Maciéis, detrás do sobrado.</p>
<p>Da casa do morador, ao lado do portão da Rua São Paulo, até o rio, no final do sitio, e a meio caminho destes, do lado direito, havia um lote destinado aos cajueiros.</p>
<p>Diferentes dos exemplares do litoral, rasteiros, juntos, acotovelados em ramos caídos e com poucos frutos, no interior, os cajueiros, mais distantes uns dos outros, erguem-se em troncos altos e grossos, galhos compridos sustentando, ao longo, folhas enxutas, e, nas extremidades,  flores acanhadas gerando frutos graúdos e de exuberante beleza.</p>
<p>Inspirados por artistas e artesãos, da formosura do caju abrolham quadros e trabalhos manuais que, além das exposições mais elegantes, também, enchem os mercados e feiras de todo o nordeste de artesanatos em forma de toalhas, panos de copas, objetos de decoração em barro etc.</p>
<p>Rico em quase todas as vitaminas, naquele tempo em Baturité, os adultos, durante a safra do caju, não precisavam se preocupar com a merenda das crianças, porque, elas mesmas se encarregavam de adquirir o pedúnculo que, então, de tão barato, chegava a fazer lama no chão.</p>
<p>Do não dito, vale a pena dizer, que, no meio da garotada baturiteense, não obstante o valor nutritivo do caju, nele, havia outro apego muito maior: a castanha.</p>
<p>Os cajus passavam, mas, ficavam as castanhas. </p>
<p>A castanha circulava junto à criançada, e, mais que as cédulas de carteiras de cigarros, elas representavam uma verdadeira moeda, objeto de apostas em diferentes jogos.</p>
<p>O jogo de castanha, mais apostado, se disputava nas calçadas. Ali, com um pedaço de carvão, se desenhava um triangulo distante alguns paços de uma linha.  A dificuldade consistia em impelir o dedo indicador de uma mão, esticado com o mesmo dedo da outra mão, isso, para, a partir da linha, mover uma tampa, chamada castelo, tudo ou nada, para tirar as castanhas apostadas de dentro do triângulo.</p>
<p>Cada um jogava sua vez, e, ganhava aquele que mais castanhas conseguia tirar do triângulo, acionando o castelo.              </p>
]]></content:encoded>
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		<title>APÊLO</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 03:07:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maninho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[
A propósito da reforma da Praça Santa Luzia, já é do conhecimento de todos, que o coreto &#8211; antigo palco, a céu aberto, de inolvidáveis retretas &#8211; não faz parte do projeto de reforma que, em tão boa hora, foi programada para nosso querido logradouro.
Coitadinho!
Obsoleto pela ausência das retretas, coisas que o tempo levou, hoje [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
A propósito da reforma da Praça Santa Luzia, já é do conhecimento de todos, que o coreto &#8211; antigo palco, a céu aberto, de inolvidáveis retretas &#8211; não faz parte do projeto de reforma que, em tão boa hora, foi programada para nosso querido logradouro.</p>
<p>Coitadinho!</p>
<p>Obsoleto pela ausência das retretas, coisas que o tempo levou, hoje mal usado por gente mundana que não tem o que fazer, apesar de não ser a obra de arte com a beleza que deveria ter, ninguém pode negar que o coreto faz parte da memória da cidade.</p>
<p>Pela capacidade inata da profissão, os arquitetos, culturalmente, sabem muito bem enriquecer o moderno aproveitando antiguidades. Para muitos deles isto é, até, missão, principalmente quando se trata de patrimônio histórico. </p>
<p>No caso especifico do coreto por mais utilitaristas que possamos ser não é conveniente a demolição dele em nome do progresso, porque, o verdadeiro progresso respeita o passado. </p>
<p>Assim sendo, e, por acreditar na sensibilidade de nossos jovens dirigentes, tomamos a liberdade de apelar para que salvem o velho coreto! Deixem-no que, mesmo velhinho, faça parte do novo!</p>
<p>A cidade toda agradece!    </p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>UMA PEQUENA HISTORIA DA PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL V</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 00:53:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maninho</dc:creator>
				<category><![CDATA[HISTÓRIA DA CIDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Inácio de Almeida Viana.]]></category>
		<category><![CDATA[Lisete Viana]]></category>

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		<description><![CDATA[PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL
CAPITULO V
Na década de 1950, no final do turno da manhã a Praça Santa Luiza se maravilhava com o alarido de moças e rapazes, adolescentes, estudantes dos dois colégios salesianos – dos padres e das irmãs &#8211; que subiam a Rua Dom Bosco num matiz colossal.
No meio deles, dois alunos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL</p>
<p>CAPITULO V</p>
<p>Na década de 1950, no final do turno da manhã a Praça Santa Luiza se maravilhava com o alarido de moças e rapazes, adolescentes, estudantes dos dois colégios salesianos – dos padres e das irmãs &#8211; que subiam a Rua Dom Bosco num matiz colossal.</p>
<p>No meio deles, dois alunos dignos de memória: Lisete, uniformizada, saia azul marinho plissada, blusa branca, gravatinha da mesma cor da saia; e, o irmão, Inácio, farda em caqui, calça de Brim Floriano e camisa de tricoline a ostentar sobre tom.</p>
<p>Filhos do Seu Almeida e Dona Lili Viana, irmãos de Joseli e Nazaré, eles moravam na quinta casa da PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL a mesma da Tia Rosenda enquanto não se mudou para Fortaleza.</p>
<p>Da candura da mãe, Lisete herdou seu jeito doce de ser &#8211; apaixonada pela vida.</p>
<p>Muito espontaneamente, Lizete exerceu liderança entre suas amigas que não eram poucas; quem pode esquecer, das meninas, lindas, na flor da idade, aprendendo a fumar, naturalmente para imitar as artitas de cinema e outras celebridades que mostravam sua elegancia fumando cigaros.</p>
<p>Sentadas em roda, elas acendiam o cigarro que passava de mao para se deliciarem em gostosas tragadas. Isso tudo escondido dos adultos, alias se chegasse algum de surpresa, elas eram, até, capazes de engolir o cigarro aceso.<code></p>
<p>Também gente muito boa, o irmao mais mais novo de Lisete, o Inácio, era o tipo de filho que todo pai gostaria de ter: inteligente, criativo e trabalhador.</p>
<p>Inácio, desde rapazinho, sabia ganhar dinheiro mesmo com a pouca idade que tinha. Sem televisão, naquele tempo, com um projetor manual ele fazia funcionar, em casa, o Cine Cai, Cai Balão.</p>
<p>Exibindo, quase sempre, o mesmo filme de curta metragem com 16 mm, a preços irrisórios, conseguia lotar a sala. Ali, na dupla função de bilheteira e porteira a Nazaré se gabava de não deixar ninguém entrar sem pagar.</p>
<p>Chegado o mês de junho Inácio montava sua bodega de fogos: expunha a mercadoria numa caixa de charuto; destaque para as caixas de traques embaladas em papel de seda de diferentes cores. Seus concorrentes na bodega eram o Chinês, filho do Seu Clarindo, e o Souzinha do Seu Napoleão, estes, mais especializados, vendiam bombas de pipoco fabricadas por um certo Mudo ou pela Dona Isabel das Lages.</p>
<p>Depois do ano letivo o Inácio, no mais, era o preparador dos alunos reprovados que tinham direito a segunda época – recuperação.</p>
<p>Quando o reforço escolar não dava jeito, os atrasados repetiam o ano uma, duas, três vezes até conseguir passar, sem embargo das chineladas na bunda ou castigos hoje substituídos por sessões de psicologia terapêuticas.</p>
<p>Antes de se mudar para Fortaleza, onde se destacou como jornalista, a outra atividade exercida pelo jovem Inácio em Baturité, foi de distribuidor de revistas, mas, sendo que, desta feita, ele já se valia de auxiliar: o “free lancer” Elias, o popular Meio Quilo.</p>
<p>Em próxima edição virão mais duas casas que completam as quatro ocupadas pelos irmãos do Seu Raimundo Viana.</p>
<p>Aguardem.</p>
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		<title>UMA PEQUENA HISTÓRIA DA PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL VI</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 00:40:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maninho</dc:creator>
				<category><![CDATA[HISTÓRIA DA CIDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Lica Viana Neri]]></category>
		<category><![CDATA[Quincas Neri]]></category>

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		<description><![CDATA[PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL 
CAPÍTULO VI
A Pequena História da Praça Santa Luzia Lado do Sol VII ao chegar a sexta casa lembra de Seu Quincas Neri casado com Dona Lica Viana Neri.
Sua casa de comercio ficava, também, na Praça Santa Luzia, esquina com a Rua D. Bosco, e, era especializada na compra e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>PRAÇA SANTA LUZIA LADO DO SOL </p>
<p>CAPÍTULO VI</p>
<p>A Pequena História da Praça Santa Luzia Lado do Sol VII ao chegar a sexta casa lembra de Seu Quincas Neri casado com Dona Lica Viana Neri.</p>
<p>Sua casa de comercio ficava, também, na Praça Santa Luzia, esquina com a Rua D. Bosco, e, era especializada na compra e venda de produtos da terra.</p>
<p>Mal comparada ao quase imponente prédio onde funcionava, a bodega do Seu Quincas era um contraste: por fora um imóvel bem construído, pé direito alto, com cinco portas para o lado da praça e duas para a D. Bosco, paredes com destaques em relevo, portas altas, mas, por dentro, as instalações eram extremamente rústicas, um velho balcão, coroado com balança antiga, dessas de dois pratos, com os pesos de aferição desarrumados em volta e um monte de surrões espalhados pelo chão.</p>
<p>Caboclo do maciço, de tronco robusto, braços morrudos de pegador de queda de braço, dentadura, forte e completa, de sorriso sincero a suavizar a fisionomia de homem rude, indumentária espartana, calça de brim com slack desengomado, nada disso, porém impedia do Seu Quincas dá bom atendimento aos fregueses e atenção toda especial quando se tratava de crianças pelas quais tinha imensa devoção.</p>
<p>Das manias de Seu Quincas, a mais intensa era sua paixão pelo Monte Mor Futebol Clube, aliás, neste time, ninguém mais do que ele, trabalhou para erigir seu estádio localizado entre a cadeia e o cemitério.</p>
<p>Os filhos do casal eram Ilka, João Dionísio, Aíla, Raquel, Neiva, Luis e Eleonora. </p>
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		<title>CANUTO FERRO DE ALENCAR</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 23:02:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maninho</dc:creator>
				<category><![CDATA[HISTÓRIA DA CIDADE]]></category>
		<category><![CDATA[CANUTO FERRO DE ALENCAR]]></category>
		<category><![CDATA[JÚLIO MACIEL.]]></category>
		<category><![CDATA[VIRGILIO RAMOS]]></category>

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		<description><![CDATA[Canuto Ferro de Alencar
José Maciel
Crônica publicada em “A VERDADE” em 18/04/1972 &#8211; Seção “O velho Torrão – n. 166 
Eu não saberia dizer o tempo certo em que chegou a Baturité esse sujeito metódico, determinado, constante e simples que foi Canuto Ferro de Alencar.
Também não juraria, mas tenho cá como certo, ter vindo das bandas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Canuto Ferro de Alencar<br />
José Maciel</p>
<p>Crônica publicada em “A VERDADE” em 18/04/1972 &#8211; Seção “O velho Torrão – n. 166 </p>
<p>Eu não saberia dizer o tempo certo em que chegou a Baturité esse sujeito metódico, determinado, constante e simples que foi Canuto Ferro de Alencar.</p>
<p>Também não juraria, mas tenho cá como certo, ter vindo das bandas do Amazonas, terra misteriosa onde se é obrigado a ser e saber de tudo, como acontecia ao magrelo incansável, surgido de surpresa na cidade a qual tomou como sua, servil, e se não deu nenhum privilégio, indiscutivelmente concedeu um notável título de divulgação, através dessa entidade famosa pelo Brasil inteiro – a “Pensão Canuto”.</p>
<p>No sobradinho da Praça Santa Luzia, parede meia com o major Pedro Mendes, outrora pertencente às irmãs Pinto, gente de boa felpa, ligada a história social da Cidade, ali, após esbarros de acomodação, esbarrou seu Canuto, acredito que um pouco antes desses dias tristes que foram os da terrível seca de Quinze. </p>
<p>Entrou e ficou, pois o homem, primando pela constância, instalou no interior do sobradão arcaico a sua miniatura de amazonas, e começou a trabalhar.</p>
<p>A pensão constituía-se em espinha dorsal da economia. A ela, depressa, juntaram-se pequenas indústrias exploradas com persistência e seriedade.</p>
<p>Além dessa habilidade já considerável, Seu Canuto tinha tempo para fazer valer certo jeito de lidar com algarismos. Não sei até onde ia esse pendor, mas admito que quando o conheci dando um expediente no escritório de Raimundo Viana, ocupava-se em contas-correntes.</p>
<p>Tal habilidade explica, certamente, a presença do hoteleiro na Coletoria Federal, ao tempo em que era titular da repartição o Doutor Virgílio Ramos.</p>
<p>Por esse tempo, nos fins  de ano, o processo arcaico de arrecadação dos impostos federais tornava o serviço exaustivo, impondo a contratação de auxiliares até que superada a pletora de serviços.<br />
Veio daí, muito provavelmente, o encontra-se Seu Canuto, naquela fase trabalhando na tarefa de arrecadação. </p>
<p>Virgílio Ramos, o Coletor, filho de respeitável e antiga família baturiteense, era um temperamento esquisito.  Retraído, cauteloso, não tomava parte em nenhum movimento social, embora fossem gerais os encômios ao seu talento, à sua cultura. Muitas vezes ouvi tais louvores de Júlio Maciel, seu antigo companheiro de pensão, nos tempos de estudante. </p>
<p>Canuto impunha-se, pois, à confiança do Doutor Virgílio e, dessa sorte, tinha, além das outras fontes, esse ganchinho na Coletoria Federal, a que se obrigava exatamente no último trimestre, quando a fumaça das queimadas e o rechino das cigarras anunciavam a proximidade com o ano novo.</p>
<p>Pois bem. Uma tarde, voltando do almoço, apressado o hoteleiro, com os miolos queimando, ao chegar à porta da Coletoria encontrou-a fechada à chave. Não era possível esperar. Aperreado bateu. Nem um sinal de vida. Bateu com mais força e já ia bater outra vez, quando viu por escassa abertura de uma polegada, se tanto, qualquer forma cilíndrica brilhando ao sol. Esticando bem o pescoço, comprovou alarmado – era um cano de revolver.        Mais que a pressa, grita: “é o Canuto, doutor&#8230;”. Virgílio abre a porta, explicando discretamente “que a época é de muito dinheiro no caixa da repartição&#8230; ninguém pode adivinhar&#8230; toda cautela é pouco.<br />
Canuto entra, retoma a tarefa e a comédia se encerra.   </p>
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