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Apesar de tudo, o futuro chegou…

domingo, 5 de setembro de 2010

Apesar de dirigentes semi-analfabetos e preguiçosos que induzem a população a crer que não é preciso estudar nem trabalhar para vencer na vida; apesar das alianças com parlamentares, inescrupulosos, desonestos, mentirosos e corruptos; apesar do loteamento do poder com políticos sem escrúpulos; apesar das roubalheiras nas prefeituras; apesar das quadrilhas de mensalão; apesar do boom do tráfico de drogas; apesar, afinal, de tantos desmandos, descasos, tramóias e maracutaias…

APESAR DE TUDO…

O povo, ainda, entrega aos políticos a esperança de melhores condições de vida, festejando a mais simples obrigação de fazer com avultadas aprovações de IBOPE. Tome-se como exemplo a resposta eleitoral da faixa populacional que, inesperadamente, se viu na faixa de consumo que, apenas, lhe garante parca sobrevivência.

A insignificância mesma de saber-se livre da inanição faz o pobre agradecido, até, concordar que, em meio de tanta safadeza, o poder não sabe de nada.

Não vai demorar, entretanto, o tempo do menos favorecido desconfiar da “caridade”, oportunidade em que deixará de ser enganado, e entender que, em breve, também, poderá ser bem sucedido, intelectual e financeiramente, sem ser culpado pelo infortúnio de alguém.

Devido à melhoria de padrões, muitos brasileiros da população emergente, já, reconhecem nos hábitos saudáveis de trabalhar, estudar e aprender outras línguas a única maneira de vencer neste mundo globalizado. Na verdade são pessoas que vêem este país crescendo mais pelas potencialidades e menos pela ação política…

Melhor será quando concluírem que esta nação cresce, apesar dos políticos.

Contrariando todos os precedentes, abrir-se-á no Brasil, na próxima década um enorme leque de diferentes chances de trabalho. Por ordem prática há de suscitar na consciência de cada um, que essa maré de prosperidade, não chega pelas mãos do Estado.

O novo desenvolvimento é produto do potencial nacional, da capacidade e da criatividade do povo, que, pouco a pouco, vai deixando de esperar a salvação somente pelas mãos do governo, muito embora sabendo que nenhum país pode viver sem governo.

APÊLO

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A propósito da reforma da Praça Santa Luzia, já é do conhecimento de todos, que o coreto – antigo palco, a céu aberto, de inolvidáveis retretas – não faz parte do projeto de reforma que, em tão boa hora, foi programada para nosso querido logradouro.

Coitadinho!

Obsoleto pela ausência das retretas, coisas que o tempo levou, hoje mal usado por gente mundana que não tem o que fazer, apesar de não ser a obra de arte com a beleza que deveria ter, ninguém pode negar que o coreto faz parte da memória da cidade.

Pela capacidade inata da profissão, os arquitetos, culturalmente, sabem muito bem enriquecer o moderno aproveitando antiguidades. Para muitos deles isto é, até, missão, principalmente quando se trata de patrimônio histórico.

No caso especifico do coreto por mais utilitaristas que possamos ser não é conveniente a demolição dele em nome do progresso, porque, o verdadeiro progresso respeita o passado.

Assim sendo, e, por acreditar na sensibilidade de nossos jovens dirigentes, tomamos a liberdade de apelar para que salvem o velho coreto! Deixem-no que, mesmo velhinho, faça parte do novo!

A cidade toda agradece!

AS CAVALHADAS DA RUA SETE DE SETEMBRO

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Rua 07 de setembro, Baturité 1930

Rua 07 de setembro, Baturité 1930

As Cavalhadas da Rua Sete

A Rua Sete de Setembro até os primeiros anos da década de 1930 não tinha pavimentação; no espaço do quarteirão do Beco do Pompeu até a rua entre o Barracão das Carnes e o Mercado Central, apenas as coxias eram cimentadas, naturalmente, para evitar erosão durante as chuvas de inverno.

No trecho compreendido entre a demolida Igreja do Rosário e a residência do banqueiro Raimundo Arruda, o logradouro, em dias de festas, servia de palco das cavalhadas, representações das tradições herdadas de Portugal que se impregnaram no folclore nacional notadamente no interior.

Rudes cavaleiros de Baturité, muitos filhos de gente importante, dentre outros aficionados Luiz Liberato, Zé Perequeté, Zé Bruno Maciel, Edmundo Victor e os irmãos Toinho, Carlos e Almir Cardoso se dividiam em partidos – azul e encarnado – para disputarem a impetuosa aposta eqüestre.

Cada concorrente, a cavalo, disparava de determinado ponto para, de lança em punho, sacar uma argola estrategicamente posta a, mais ou menos, cem metros de distância.

O feliz cavalariano vencedor, ao cumprir o objetivo, de peito erguido, cavalgando a passo lento, se aproximava do público espectador em busca da namorada para lhe oferecer a aldrava valiosa e, dessa forma, compartilhar com a amada a gloria de ser o campeão da temporada.

Urbanizada na administração do interventor capitão Ozimo de Alencar, nascido iguatuense, assim, vaidosa, a Rua Sete, de prado, passou a ser a principal artéria da cidade, não só pela modernização, mas, por merecimento, haja vista o número de estabelecimentos que lhe garantiram a fama de rua do comercio, designação, antes, pertencente à Rua Quinze de Novembro.

Do lado do sol um conjunto arquitetônico de seis prédios abonava a pujança das antigas lojas: Sapataria São José, de José Pinto Garcez, As Variedades, do Major Pedro Mendes, a Casa Síria, de Elias Salomão, a “Casa Pernambucana”, dos Irmãos Lundgren, e, depois de algumas residências, as oficinas da redação de “A Verdade” o semanário do coronel Ananias Arruda; do outro lado a usina e luz e força e o cinema, ambos de José Pinto do Carmo, o imponente prédio do Banco Comercial e Agrícola da família Arruda.

Antes de se extinguirem por completo, as cavalhadas usaram a Rua Senador João Cordeiro a popular Rua de Trás, em frente a Fábrica Velha do major Horácio Dutra.

O BRASIL DO FUTURO

domingo, 22 de novembro de 2009

O BRASIL DO FUTURO

O eterno PAÍS DO FUTURO, não pelos filhos, mas pela diversidade, surpreendentemente, dentro da crise econômica, aparece ao mundo como iminente potência mundial.

O trabalhador brasileiro, a se ver diante dessa realidade, no entanto, não sabe como a potencialidade vai lhe beneficiar.

Desconfiado de tudo. Ele não sabe se o estudante de hoje está se preparando para dar destinação a tanta riqueza, ou, do contrário, se vão loteá-la, como os mais velhos já estão loteando o pré-sal?

Pegajosos maus exemplos não lhes faltam. Basta ver um governo que para poder governar, tem que: mentir, nomear ministros corruptos, conviver com parlamentares suspeitos, faltar com a ética, e, ainda, não cumprir promessas de campanha.

Fruto dessa inversão valorativa já existe ministro, ex-bancário, lutando contra os aposentados e senador comunista afrontando o social.

Foi dessa realidade nua e crua que nasceu o slogan: EM 2010, NÃO REELEJA NINGUÉM! Para falar a verdade, com os políticos que aí estão o Brasil não tem futuro!

O Teco Teco

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O TECO-TECO
Como um assunto puxa outro, a propósito de minha crônica A Rua de Trás, recebi, diretamente de Michigan – Us, um email de João Alberto Figueiredo, que antes habitou naquele pedaço. Lembrava a queda de um teco-teco no canavial do seu Nenzim Lopes. Acontecimento que por incomum, ainda, não caiu no esquecimento.

Nesses tempos, João Alberto, filho de Manoel Figueiredo e Dona Puri acompanhado de seu melhor amigo e vizinho, o Stenio, filho do coletor federal Rubens Santana, procuravam o azulão, um cachorro, talvez.
Pelo lugar onde se encontravam, com certeza, também, saboreavam seriguelas, coisa conhecidamente proibida no sítio de Chagas Mariano e Dona Doria que não permitiam ninguém transpor o muro construído, justamente, para evitar visitas inoportunas deste tipo. Mas, como com menino a coisa é diferente, os dois, mais ou menos, aos oito anos de idade, sem dúvidas estavam ali sem permissão, às escondidas e, principalmente, escapados da vigilância rigorosa das mães.

O estridulado dos sanhaçus em disputa com silencio profundo, pouco a pouco, vai sendo superado pela zuada de mortor falhando, no rumo do canavial. Curiosos os meninos saíram debaixo das fruteiras em busca de uma clareira que pudesse lhes mostrar um pedaço de horizonte. Ao atingirem a plena luz, hipnotizados e deslumbrados, avistaram um teco-teco ainda baixando até cair de vez em cima a plantação de canas..

Sem pensar duas vezes os dois pestinhas, armados de baladeira, e ao atingirem uma distancia segura, sem saber por que começaram a “bombardear” o pássaro de ferro que na realidade já estava abatido.
Ao ver dois sobreviventes cambaleando ate o chão, gritando com eles, os amiguinhos saíram correndo para casa – cada um para sua.

Logo em seguida, ainda com muito medo, João Alberto saiu de casa, desceu pelo quintal, e viu uma multidão em volta da aeronave decerto socorrendo os tripulantes da aeronave que por sua fez tiveram ferimentos, mas, somente o susto.

Dentre os que vieram socorrer o piloto chegou à frente o Fernando Simões – apareceu por lá com uma “Bicicleta a Motor”, atrás dele, outros ciclistas tentando acompanhá-lo com suas bicicletas a pedal mesmo.

O piloto de nome Faria, não sei dizer ao certo, se já tinha alguma amizade com a família Simões ou se esta começou com o socorro do Fernando, mesmo porque, dar acolhida a quem precisa sempre foi uma característica daquela família portuguesa, com certeza.

Homenagem à Lucy

sábado, 9 de maio de 2009

Filha do casal Nágela e Abraão Otoch, imigrantes libaneses, cujos descendentes, hoje, se destacam nas lides do grande comercio e da indústria no Ceará, a Lucy criou-se com a personalidade forte que caracteriza a raça de seus pais.

Do seu casamento com João Batista Melo, teve 5 filhas, às quais transferiu toda a esmerada educação que recebeu da mãe Dona Nágela, naturalmente complementada com a instrução nos melhores colégios da cidade, e, depois das faculdades. Das cinco, formou todas.

Independentes, Silvia, Denise, Liliana, Lucy e Cristina, são pessoas notáveis, filhas daquelas que toda mãe gostaria de ter.

A intensa presença delas, maridos e netos junto à Lucy, nunca foi do tipo daquela que se faz por obrigação. Não. Era um comparecimento incomum, uma espécie de aderência onde a Lucy reinava num ambiente onde os descendentes se deixavam reinar.

Numa atmosfera assim, onde a família fica no topo de todos os valores, os de fora, parece não ter lugar. Sem lugar só aparentemente, porque quando a Lucy cultuava uma amizade, esta era uma amizade sincera, uma amizade desinteressada e extremamente assistida nas horas precisas.

Das pouquíssimas pessoas que abominava, ela nunca abriu sua boca para falar mal de nenhuma.

Por ter gozado de sua amizade, a morte da Lucy, para mim e para minha família é irreparável…

Imaginem a falta que fará no seu próprio clã.

Baturité Sesquicentenária

sábado, 9 de maio de 2009

A trajetória dos seres vivos, bem como das entidades – empresas, fundações, municípios e nações -, no curso de suas existências, tais quais como o transcorrer do ano, atravessam quatro estações.

A primavera, o verão, o inverno e o outono, estão para um ano, assim como a infância, a juventude, a maturidade e a velhice estão para um município por exemplo.

Ao se tornar cidade por da Lei Imperial de 9 de agosto de 1858, BATURITÉ, as três primeiras etapas da existencia Baturité as viveu intensamente:

Na infância, essencialmente agrícola, ela cresceu cultivando algodão. Em seguidas décadas, ajudou o nordeste a suprir a Inglaterra do ouro branco quando os Estados Unidos pararam de exportar o produto por causa da Guerra da Secessão. Ainda no frescor da vida, a cidade aproveita seus dois climas, para diversificar a lavoura da, então, imensa área geográfica do seu fertilíssimo solo. No primeiro semestre – período chuvoso – trabalhava o binômio boi-algodão nas fazendas, e, nos sítios, se valia do segundo semestre – período seco – para cultivar, na serra, o melhor café do Brasil.

Na juventude, fundamentalmente cultural, ela lucra com a influência do coronel Ananias Arruda. Ganha ares de pólo de ensino. Sob a orientação de ordens religiosas, arquétipo de performance no ensino mundial, jesuítas, salesianos e irmãs de Caridade, fazem a cidade se rivalizar, em termos de cultura, com os maiores centros do nordeste. No auge dessa estação, o entusiasmo de Ananias Arruda, ainda, premia a cidade com a instalação do Hospital José Pinto do Carmo e com a Maternidade Maria Felícia Ribeiro.

Na maturidade, empreendedorista, ela cresce com nativos e emigrados, desenvolve todos os fundamentos econômicos – banco de crédito, agricultura, comércio e indústria. Na capital federal do Rio de Janeiro, por ocasião da administração do prefeito capitão Miguel Edgy (1951-1954), figura entre os dez municípios mais progressistas do Brasil.

Na velhice, decadente, ela perde o império na de 1958. Começa o fechamento de colégios. Acentua-se o aumento populacional. A cidade adota um monte de filhos, a maioria campesina migrada pela falta de reforma agrária.

Dá-se, nessa realidade, uma espécie de seleção ao contrario: quem pode não procria e quem não pode se multiplica. A periferia se enche de gente carente com problemas de toda natureza. Mesmo assim, dentro desse ambiente dificultoso, surgem cidadãos práticos que ficam ricos e famosos. Frutos da competência e da capacidade, as mais democráticas das aptidões, eles se elegem ou ajudam a eleger outros bem sucedidos, que como eles, enterrados no trabalho, ao dirigir o município, por escolha ou inconscientemente desprezam as tradições.

Na rotina caótica da expansão a qualquer custo, ela ganha um comercio pungente, mas esquece, seu passado. Não se lembra, por exemplo, que na transição de sua infância para a juventude, muito antes de Fortaleza, já tinha seu serviço de luz elétrica e água encanada.

Acredita-se essa amnésia como temporária. E porque não. Até necessária. A cidade precisava sobreviver. E sobreviveu forte.

Resta aos filhos novos, contar a história do segundo século, contudo, sem abandonar as tradições da queridíssima urbe.

LETRAS DE UM AMIGO

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
João Batista Melo

João Batista Melo

Para recepcionar meu amigo João Melo, aguardava-o no céu um número de pessoas semelhante ao daquelas que foram se despedir dele no mesmo dia 08 de outubro de 2008 no Parque da Paz.

Quando aquele que tinha as chaves do Paraíso abriu a porta para recebê-lo uma imensa fila dupla já se encontrava a postos para assistir sua apresentação ao REI DOS REIS que o aguardava com toda a pompa de seu trono, tendo ao seu lado, todos os seus Anjos e seus Santos.

Na frente de NOSSO SENHOR, depois de reverenciá-LO, São Pedro, enfim, apresenta ao MESTRE, o meu amigo, que ele trazia pegando no seu braço, com o maior cuidado, para que ele não caísse pelo caminho.

E disse:

- SENHOR, ESTE CIDADÃO, QUE ACABOU DE CHEGAR, É GENTE MUITO BOA, MAS NÃO ESPALHE NÃO, POR QUE, SENÃO, ELE PODE FICAR ORGULHOSO.

Ao dar-lhes as boas vindas o PAI DO CÉU, passou a mão na cabeça do meu amigo, e, nesse momento, milagrosamente, ele recuperou a saúde, a mesma saúde, do tempo que era “bodegueiro da cheirosa”’, Rua Governador Sampaio, vizinho de seu Luiz Gonzaga e de Joaquim Preá. Seu braço direito já era o Lauro, o seu Zé de Lima o motorista da camioneta de entrega, e, e João Vinte e Três, seu ajudante.

Eu acho que, se Deus permitir, lá em cima, ele vai pesquisar, os melhores pontos do Paraíso Celeste, para abrir um monte de “bodeguinhas”, e na certa, vai, até, aproveitar o Irapuã Lima, que, já se encontra por lá, para fazer os reclames da nova rede de “Mercadinhos São Luis, os fusquinhas dos supermercados do Céu.

O que será diferente, é que, lá no altíssimo, o João não vai poder usar sua célebre despedida:

- Vou prestigiar vocês…, com minha ausência…

É isso mesmo meu amigão, de lá, onde só se encontram os bons, não vão deixar você escapulir, à toa, deixando tantos a morrer de saudades… DEUS, diante de seus PODERES jamais perderá um amigo como você.

Assim sendo, quem quiser te ver novamente, vai ter que ser bom como você foi…, e não é fácil entrar no Reino onde você se encontra!