A pequena história da Praça Santa Luzia lado do Sol, agora baixa âncora na residência do Seu Orlando Viana e sua esposa dona Tilde, os dois, pais de Maria Coeli e Ayres. Sétima casa do pedaço, e a quarta e última da familia Viana.
Diferentemente do irmão, o dinâmico, Raimundo Viana, industrial, comerciante e político, o seu Orlando Viana era um homem, sem ambiçao, de modestos recursos, apolítico, que ganhava a vida com seu ônibus.
Aparentando idade maior daquela que realmente tinha, o seu Orlando era meio barrigudo, simples no modo de se vestir e dessas pessoas que não se incomodava com a vida de ninguém.
Transformado de um caminhão Internacional, verde oliva, modelo da década de 1930, o ônibus do seu Orlando, religiosamente, obedecia e dava suporte ao movimento dos trens de passageiros rodando exclusivamente de acordo com seus horários fazendo o trajeto Estação-Centro.
Descuidado, na maior parte do tempo parado, o coletivo ficava estrategicamente estacionado, a sol e chuva, em frente à residência da praça, local certo para aproveitar o declive, posição exata, para, sem empurrão, acionar o motor independente de manivela ou bateria.
De Baturité, carro e dono, nunca foram esquecidos, mas, na verdade eles deveriam ser pensados o primeiro como coisa, e o segundo pessoa, ambos, pertencentes à História, escrita assim, com “H” maiúsculo.
Interrompido, até hoje, com sua falta, o seu Orlando Viana foi o continuador do transporte coletivo da cidade, serviço começado pelo pioneirismo de José Pinto do Carmo, nas primeiras décadas do século passado, no tempo em que os carros tinham apelido – sua marinete era conhecida como “O boi”.
Depois do “Boi”, outra camioneta, a manivela, alcunhada de Maria Rosa, também se propôs a transportar pessoas entre a estação e o centro, também, só nos horários do trem. No Café Central do seu Fransquim, existia um painel de fotos antigas que mostrava a Maria Rosa tendo à frente o seu proprietário, um cidadão da tradicional família Bonates.
Como o assunto acabou em transporte, lembrem-se, no mais, da Fóbica do Zé Lobo o único automóvel de aluguel que rodava no município, este, depois, transformado em ola, e, para terminar, para quem não sabe da charrete, de tração animal, do coronel Ananias dirigida por uma senhora de nome Rosa.
Fonte de Pesquisa Antonio Francelino e João Rodolfo.

